quarta-feira, 30 de janeiro de 2013


Ela é linda, tão linda que seria fácil-fácil eleita a mulher mais sexy do mundo. A curva dos seus lábios, a cor rosada e o formato delicado. A pele macia, seios pequenos, pernas torneadas, pés de princesa. O cabelo é pretinho, cheio e macio.  Toda pequena.
Acordei primeiro, ainda está escuro lá fora e faz um pouco de frio... Puta merda! Como eu tenho sorte de tê-la. O relógio informa que são 05h30min da manhã, tão cedo, mas a cidade já está de pé. Chaminés fumegando, carros a trafegar, cães latindo, gatos revirando lixeiras. O charmoso hotel Le Doux Paris também parece ter acordado há, pelo menos, uma hora. A torre Eiffel parece ganhar vida ao nascer do sol. Minha menina mexe-se na cama à procura de mim.

__ Estou aqui, linda.
__ Ah! Bom dia, amor. Que horas são? – Pergunta um tanto sonolenta.
__ Seis da manhã.
__ Vamos dormir mais um pouquinho?
__ Preguiçosa, daqui a pouco tem o café da manhã. Vamos tomar um banho quentinho e nos arrumarmos.

O dia passou tão rápido e conforme meus planos o clima esquentou com a mesma rapidez. O mês de julho está muito imprevisível este ano, mas com uma ajudinha lá de cima minha surpresa será uma delícia.

__ Vista algo leve; de preferência um vestido. Quero você o mais confortável possível.
__ Qual o motivo para tantas ordens?
__ Hmm, surpresa.
__ Poxa! Você sabe que fico ansiosa, Rodrigo...
Ela faz um biquinho tão gostoso que tenho vontade de rasgar aquele vestido na mesma hora.
__ Vou ter que vendar você assim que chegarmos ao elevador.
__ Tenho outra opção? – Pergunta toda atrevida, como de costume.
__ Você sabe que não.

Falei há dois dias com Senhora Heloísa, dona do hotel, uma mulher simpática, sorriso fácil, corpo pequeno, olhos sinceros e palavras sábias. Disse que seria um prazer permitir que eu fizesse uma surpresa a Bela. São 19h00min. Percebo que Bela está nervosa. Caminhamos em silêncio até o elevador. Ele começa a subir e ela pergunta:

__ Para aonde estamos indo?
__ Chegamos.

E o elevador para num solavanco quando chegamos ao terraço do charmoso hotel. As portas abrem e tiro a venda dela.

__ Meu Deus! – E os olhos dela enchem-se de lágrimas.
Os funcionários do hotel capricharam. Uma mesa pequena de metal e tampão de vidro, velas num castiçal, cadeiras de madeira e acento acolchoado. Uma música instrumental preenche a noite de uma forma espetacular. Vinho, saladas e carne grelhada fazem parte do cardápio.

__ Surpresa! Gostou meu amor?
__ Adorei. É tudo tão lindo. Maravilhoso! Muito obrigada, meu anjo.
Sentamos-nos, comemos tudo e a conversa fazia sentido até o momento que o vinho começou a falar por nós.

__ A torre Eiffel está linda, não é?
__ Não mais do que você...

A torre nos faz companhia. Está iluminada com milhares de lâmpadas e brilha mais do que a cidade inteira. A noite esquentou e minha imaginação está pegando fogo. Percebo que D. Heloísa nos deu uma ajudinha: num canto mais escuro um colchão de ar, coberto por um lençol escuro, nos covida para experimentá-lo.

__ Senta amor!
__ Hmm, quanto autoritarismo... – Seu tom de voz indica que ela ficou excitada.
__ Você tem algum apego a este vestido? – Avanço para mais perto, assim posso sussurrar em seu ouvido.

Não espero ela responder e rasgo seu vestido. Percebo que ficou assustada, mas me disse nada.

__ Quero fazer amor com você, Isabela. Agora! Quero você nua e toda suada.

Ela balança a cabeça num gesto positivo e tiro seu sutiã. Ouço seu arquejo e vejo que está ruborizada. Sinto os dedos dela desabotoarem minha camisa de algodão e chegar a minha calça.

__ Ainda não.

Vejo sua decepção, mas agora só quero vê-la nua. Beijo seu rosto enquanto minhas mãos percorrem seus seios, os mamilos estão túrgidos. Quero prová-la, tocá-la, deixá-la satisfeita. Tocamos-nos como nunca fizemos. Com urgência; desespero até. Ela morde minha orelha, toco suas coxas, faço carinho em cada centímetro do seu corpo. Sinto que está do jeito que desejei e tiro minha calça. Fazemos amor como nunca havíamos feito. Sem preocupação, sem pressa e ao mesmo tempo como se o mundo fosse acabar. Entreolhamos-nos e nada precisa ser dito. Palavras não são necessárias e muito menos importantes agora. Adormecemos e o nascer do sol foi nosso despertador. O dia nem precisa começar. Quero voltar para a parte onde ela é somente minha. Pode ser agora? Quanto egoísmo, Rodrigo... Quanto egoísmo!


Valyne Oliveira

Autora: Natália Nina

                                       Para o meu amor, Pedro.
“Passando pelo quarto da minha mãe, ouvi de um filme: Tudo mudou, mas ainda é igual”. Não lembro o nome do filme e nem mesmo qual canal era. Pode até parecer que essa construção não tenha o mínimo sentido, mas, não é assim que acontece com alguns relacionamentos? Não é isso que está acontecendo comigo?
Há algumas semanas estávamos no seu quarto, deitados bem juntinhos. Eu estava quase dormindo, já estava até de olhos fechados,quando você me chamou,fitou meus olhos e disse:
-Será que daqui a 10 anos você estará aqui do meu lado usando a minha camisa rosa que você tanto amo, Clara?
-Claro que estarei seu bobo!Você me acordou só pra isso mesmo?-falei em um tom irônico.
-Não, te “acordei” porque quero fazer planos contigo!
-Precisa ser agora, Pedro?
-Aham, lembra quando éramos mais novos e antes de dormir, ficávamos planejando as nossas vidas?
-Claro que lembro meu amor.
-Você acha que poderíamos fazer isso agora, luz da minha vida?
-Já que você espantou Morfeu, acho que devemos né?!
-Own princesa! E por onde começaremos?
-Que tal pelos nomes dos nossos filhos e quantos iremos ter?
-Pode ser, quero ter cinco filhos!
-Cinco?- meus olhos saltaram- Não é um número muito alto? Que tal três?
-Vou pensar no seu caso- você sorriu com seu jeitinho discreto-E quais seriam os nomes? Gosto de Luca, Murilo, Gabriel. E Otávio também.
-E posso saber o porquê de não haver nomes femininos na sua lista? Por que, meu cravo?
-Meninas são muito difíceis de criar,quando maiores,piora ainda mais.
-Larga de ser bobo!Vamos ter uma princesa sim, se Deus assim permitir. Gosto de Laura, Catarina, Miguel, Luiz (...).
Falamos ainda do nosso lar como irá ser, as cores da parede, que não íamos cair na rotina. Falamos também como eu não suporto que deixem a toalha molhada sobre a cama, de como gosto de cavalos e quando me dei conta, os meus planos já não eram meus, mas nossos planos. Era como um quebra cabeça, com você do meu lado, tudo se encaixava. Naquele 2 de Julho,naquela noite,só queria teu corpo junto ao meu,sentir o teu cheiro,sentir tuas mãos quentes me fazendo cafuné.Só queria você comigo,apenas isso.
Sete semanas se passaram dessa data linda e cinco semanas, também se passaram, desde quando rompemos. Posso ter você de volta algum dia? Diz-me meu cravo!
Ainda quero tudo o que eu queria naquele dois de Julho. Vem fazer planos comigo de novo?Prometo que não irei ficar mal humorada quando você me chamar à noite para fazermos planos. Eu, Clara, estou prometendo, meu amor.
Sabe aquela frase do filme “tudo mudou, mas ainda está igual”? Nosso relacionamento mudou, minha vida mudou ao extremo sem você comigo. Mas, meu grande amor por você, pelo seu sorriso, pelo seu abraço, pelo teu beijo, pelos nossos planos, por você inteiro, permaneceu e permanece. Fica mais vivo a cada manhã. Estou com saudade de você, de quando você soprava no meu ouvido para que viesse uma série de arrepios depois, de quando tentávamos cozinhar algo junto e você me sujava toda. Volta pra mim! Deixa os defeitos e desavenças para as horas de tédio, onde nós brigaríamos por nada, nos desculparíamos e tudo acabaria em um romance no final da tarde, com direito a um pote de sorvete de creme crocante que nós amamos tanto.

                Volta pra mim, Pedro? Volta pra nós, meu amor.
                Com muito amor e saudades, a sua eterna Clara Tavares.
P.S: Eu te amo muito!Volta logo.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Lição do dia: existem pessoas que não passam de propaganda enganosa.

Valyne Oliveira
Aí, você começa a amar mais do que consegue administrar.

Valyne Oliveira
Quero brincar com teu cabelo, tuas bochechas,
nos teus lábios molhados.
Quero brincar com teu corpo, no teu corpo.
Quero brincar com você.


Valyne Oliveira
Diga assim:"Desculpa, fulano. Mas não quero ser teu refúgio somente quando a tempestade estiver te castigando, quero ser teu abrigo nos dias de sol também."

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A cicatriz no meu rosto já está da cor da pele; só sobrou uma linha estreita e com poucos centímetros, meu amor... Antes de tudo, preciso agradecer ti pelas tulipas; são lindas e estão fazendo companhia para minha nova leitura. Não tinha um vaso, mas elas ficaram muito charmosas na jarra lilás da mamãe. Não estou conseguindo administrar a saudade; ela tem estado muito persistente. Faz duas semanas que não o vejo... Ainda vai demorar muito? Volta logo, por favor. Deixa de maldade.
Hoje faz três anos que você me salvou, lembra? Mesmo sabendo que vai me ligar mais tarde, quero que guarde esta carta; talvez nunca consiga falar o quê estou escrevendo. Nunca vou esquecer-me daquela noite: dois homens numa rua deserta e eu. Estava tão frio – ainda me lembro. A garoa começava a tocar o telhado das grandes casas. Recordo a voz embriagada de ambos, as mãos sujas sobre meu corpo, o som da minha roupa sendo rasgada, a barba mal feita de um deles roçando contra minha pele. Lembro-me de perder a noção de tempo e espaço, comecei a gritar e um deles ficou tão embravecido que cortou minha bochecha com um caco de garrafa, acho. Perdi minha identidade esse dia.
Jamais esquecerei a tua chegada. Lembro-me de estar no banco de trás do teu carro, enquanto você pedia a seu amigo para ligar para a polícia. Foram dias longos, tantas perguntas e eu só queria saber de ti. Sabe o que mais gosto de lembrar? Teu rosto terno a me observar de pertinho na cama do hospital, tua voz embargada, teus cílios molhados pelas lágrimas de revolta. Pode ter certeza que teu doce gesto marcou minha vida. Nunca te disse nada disso, não é? Espero que não se assuste! (risos)
Sabe o quê quero de presente? Que seja criada uma lei e ela precisa ser assim: “Ame a Lola com todo coração, seja sincero, guarde-a com carinho nos teus pensamentos, seja sempre fiel e jamais a deixe. Seja amigo, amante, namorado e futuro marido”. É perfeita, eu sei... Saudade, muita saudade, meu anjo.

Com carinho e muita gratidão,
“a Lola do Emanuel”.

sábado, 12 de janeiro de 2013

- Parte 7 -

Diário de Laura, dia 610. Dezoito de janeiro de 1943. 

Ontem à noite mal dormi. Depois de anos você apareceu no meu sonho e dessa vez não tive vontade chorar. Veja que maravilha!Você me fez bem depois de dias. Quanta ironia... Pela primeira vez sonhei com nossa primeira relação amorosa. Dois bobões, sem saber o quê fazer e como fazer. 
Era uma noite de sábado, estava fazendo um pouco de frio desde cedo e havíamos passado a tarde passeando pelo parque. Tomamos sorvete e, como sempre, sujei-me. ”Laura, você precisa se sujar toda vez?” Lembro-me de você brincando com minha falta de jeito. Três de abril de 1936. Esse dia ficou gravado na minha pele. Ele me convidou para irmos até a casa dele; precisa me limpar. Os pais dele estavam num chá da tarde; não nos contínhamos de tanta emoção. Estávamos a sós! Sabe o quanto isso era difícil?
Fui ao banheiro, passei água na bainha do vestido e a mancha teimava em permanecer intacta. Eduardo entrou no banheiro e encontrou-me toda bagunçada, reclamando da vida. Lembro-me do teu sorriso, do jeito como abriu os botões do meu vestido. Tudo bem devagarzinho, tomando cuidado para que eu não me assustasse. Não dissemos nada um ao outro, a confirmação estava evidente em nossos olhares cúmplices. Fiquei corada e percebi que estava se divertindo, como sempre, com a situação. Nossa respiração obedecia a um ritmo apressado. Recordo-me de ter ficado tímida; era a primeira vez que um homem me olhava somente com peças íntimas. 
Caminhamos até seu quarto. Mãos dadas, olhos curiosos, passos leves, mas apreensivos. Sentei-me na sua cama – pela primeira vez. Você fechou a porta, trancou as janelas e deixou apenas o abaju ligado. Sentaste junto a mim; vi que estava nervoso e empolgado. Tomei a iniciativa de beijá-lo; vi que se espantou, mas continuou a fazê-lo desesperadamente. Tocamos-nos como de costume, porém senti que precisávamos de mais. Ainda lembro-me da tua mão traçando caminhos por minhas coxas enquanto eu desabotoava tua camisa de algodão e logo depois você fica sem roupas de baixo. Teu corpo estava quente e surgiam gotas de suor em teu pescoço. O quarto ficava abafado, mas continuava agradável. Deitei-me e você ficou por cima de mim; nossos corpos tocavam-se e gemidos preenchiam o silêncio do quarto. Você me deixou relaxada; não parecia tua primeira relação. Queria tanto, quase implorei. 
Aconteceu. Foi tão bom e tão estranho. Tão diferente e tão conhecido. Instintivo é a palavra que melhor define. Tua expressão de satisfação, descobrimento misturavam-se às minhas reações de espanto. Podia ouvir o bater do meu coração nos ouvidos. Passamos cerca de dez minutos experimentando a nova descoberta, mas fiquei com receio de algo desse errado e tua compreensão entrou em cena. Carinhoso, cuidadoso. Cobriu-me sem pressa e com todo zelo. Deitados. Sem precisar dizer nada. Lembro que tua boca balbuciou um “Eu te amo, minha linda”.
Sabe o quê ficou de tudo isso, Eduardo? Lembranças. Agarro-me a elas como se dependesse disso para viver. É só uma tentativa bizarra de vê-lo como aquele homem por quem me apaixonei.
Já chega... Espero que esteja bem e feliz agora. Durma tranquilamente; faça isso por mim.


Valyne Oliveira

– parte 6 –

Diário de Laura, dia 595. Três de janeiro de 1943.

Faz mais de seis meses que falei com o Felipe; o homem que me convidou para fazermos um piquenique, ele percebeu que faltava um “pedaço” de mim (estou sendo piegas, eu sei) e acabei falando sobre você. A expressão dele quando terminei de falar me fez sorrir; uma mistura de espanto com decepção. Não precisei me explicar, ele simplesm
ente compreendeu a situação e disse que estava disposto a cuidar de mim. Não sei se é certo, mas fiquei com pena dele e admirada também.
Juro que tentei. Passeamos próximo ao lago que fica nos fundos do rancho da família dele, tomamos sorvete e fomos ao parque da cidade duas vezes. Nossas conversas deram certo e tínhamos semelhanças, mas nada disso bastou. Sem querer comecei a comparar ele com você: a gargalhada dele é estranha; não me faz gargalhar junto, o jeito que ele arruma o cabelo é muito certinho, Felipe não é uma pessoa positiva como você Edu; parecemos dois velhos rabugentos que reclamam até da brisa. Creio que seja errado comparar pessoas, porém foi uma atitude rotineira. Não demos certo por muito tempo. Logo ele cansou-se de tentar aparar os ramos que eu insistia em deixar crescer. Perdemos contato com o passar dos dias. [...]
As aulas na Escola de Música são magníficas. Passo minhas folgas do hospital me dedicando às partituras e composições. Minha vida está uma bagunça: dias no hospital e noites debruçada sobre livros de música. O último mês resume-se a isso. Dona Lola, minha neurótica mãe, presenteou-me com um piano de cauda, a sala do apartamento está tomada por ele.
As notas musicais tem preenchido parte dos buracos cavados por tua atitude, Eduardo. Compus uma música no piano enquanto pensava sobre nossa primeira noite. Adoraria que você ouvisse e me dissesse que preciso melhorar muito com um sorriso esperto nos lábios. Ainda sinto falta até desse teu jeito maroto.
Já revivi centenas de vezes quando vi você no mercado próximo à casa da Helena, minha doce amiga; meu coração entrou em pânico, minha mãos estavam suadas, boca seca, minha mente criou um filme nosso em questão de segundos. Larguei as compras no balcão e só pude ouvir o Senhor João, dono do comércio, gritar meu nome. Eduardo, você continua aquele rapaz robusto, elegante e dono de sorriso fácil. Nunca mais quero sentir a sensação esmagadora de querer correr ao teu encontro e, ao mesmo tempo, ter vontade de mantê-lo distante.
Como gostaria de dizer que está tudo bem e que aceito você, mesmo que esteja manchado de erros após aquela noite. Mais um dia, mais uma noite e ainda continuo bagunçada por culpa tua.



Valyne Oliveira

Minha boneca de porcelana,

Lembra que você odeia que a chame assim? Faz tempo que não a chamo assim... O avião já deve estar sobrevoando a cidade enquanto você ler esta carta. Estou com medo -devo confessar- muito medo. Os últimos dias foram estranhos e não sei bem ao certo como vamos ficar depois da notícia que lhe dei. Foi doloroso dirigir até sua casa; juro que segurei cada lágrima que ardia e
m meus olhos. Jamais esquecerei a expressão de espanto e desespero ao receber a notícia de que seria transferido no trabalho para o outro lado do país. Ainda está de pé a proposta de ir me visitar, assim que acabar tuas aulas na universidade?
Estou relembrando tua gargalhada quando falo alguma bobagem. É interessante como nos apegamos a qualquer detalhe, só para ter certeza de que tudo é tão firme quanto aparenta ser. O nosso apartamento não será vendido. No futuro, quero vê-la desfilando toda manhã vestida na minha camisa sem usar nada por baixo, e ainda assim ser a mulher mais bem vestida. Não tive coragem de deixar você; sei que é egoísta da minha parte, mas não posso desistir de nós dois como se não tivéssemos escrito cada frase da nossa história.
Proíbo você de chorar, dizer que está com saudade e quer meu colo; saiba que isso me fará sofrer e não estou disposto a isso, mocinha! Você vai ter que sair nos fins de semana, dançar e conversar com cada amiga tua até ficar cansada e dormir abraçada na almofada que deixei na sua cabeceira.

Seja forte, minha linda.

Com saudade, teu “mô”.

‎- parte 5 -

Diário de Laura, dia 415. Quinze de junho de 1942.

Tenho escrito menos sobre você. Deve ser um bom sinal, espero. Aprendi a camuflar tudo que sinto; só quem me conhece sabe que ainda não superei você. Juro que tentei, não pense que estou gostando de ser a pobre e triste Laura. É desgastante. Hoje pela manhã a Dona Lola, minha querida e super-protetora mãe, veio saber se ainda respiro. Conversamos por um bom tempo e ela teve que perguntar: “Por que não sai hoje à noite?”. Que mãe é essa que diz para a filha sair e procurar homem? Sei que ela não disse isso, mas tenho certeza que pensou. Dona Lola sempre foi à frente do seu tempo.
Conheci um homem lindo, educado e cavalheiro semana passada. Ele é encantador. Dei boas risadas, conversamos por horas e passeamos depois de jantarmos num charmoso restaurante. Confesso que fiquei atraída e tive vontade de ficar mais um tempo ao lado dele. Trouxe-me para casa como um legítimo cavalheiro. Acredita que ele me chamou para fazermos um piquenique? Aceitei, e as 16h00min tenho que estar pronta.
Engraçado como o ser humano aprende a lidar com situações extremas; sou profissional na arte de pintar sorrisos no meu rosto. As pessoas que trabalham comigo no hospital nem suspeitam da nossa história, Eduardo. Eles acham que sou calada e rabugenta de natureza; imagino você dizendo a eles: “Seus tolos, essa mulher é pior que criança”.
Daqui seis meses faço um teste para a escola de música; preciso deixar de maltratar o piano na casa da mamãe. Quero aprender a pintar. Ontem, quando voltava do trabalho, vi um casal de idosos; ela com seu vestido antigo lilás, chapéu e uma bolsa de mão e ele vestido num terno bem cortado e acinzentado, o jeito como andavam dizia tudo sobre eles: mãos dadas, braços encontrando-se a cada passada, conversa baixa e íntima, sorrisos meigos e cúmplices. Apaixonados. Bateu uma vontade transformá-los em arte; daria um belo quadro. É óbvio que já desejei o mesmo para nós.
Será que ainda pensa em mim? Sonha comigo e todas aquelas bobagens que fazemos quando amamos alguém? Lembro perfeitamente quando disse: “Lalá, vou sempre ser teu companheiro”. Eduardo, esse “sempre” que usaste tem prazo validade. Esqueceu-se de me contar sobre isso também?
Boa noite, meu anjo Eduardo.

Observação de hoje: ainda não consigo ignorá-lo em minhas orações.


Valyne Oliveira

Indico para ler e se apaixonar

Sinopse:“Cada mês de abril, quando o vento sopra do mar e se mistura com o perfume de violetas, Landon Carter recorda seu último ano na High Beaufort. Isso era 1958, e Landon já tinha namorado uma ou duas meninas. Ele sempre jurou que já tinha se apaixonado antes. Certamente a última pessoa na cidade que pensava em se apaixonar era Jamie Sullivan, a filha do pastor da Igreja Batista da cidade. A menina quieta que carregava sempre uma Bíblia com seus materiais escolares. Jamie parecia contente em viver num mundo diferente dos outros adolescentes. Ela cuidava de seu pai viúvo, salvava os animais machucados, e auxiliava o orfanato local. Nenhum menino havia a convidado para sair. Nem Landon havia sonhado com isso. Em seguida, uma reviravolta do destino fez de Jamie sua parceira para o baile, e a vida de Landon Carter nunca mais foi a mesma.”

Opinião pessoal: Quem viu o filme sabe o quanto é emocionante. É preciso ter um coração pedra para não se emocionar com a história. Já vi uma centena de vezes e não me canso de ficar encantada com o amor e a fé abordada pelo Nick. Caso exista um romancista mais talentoso do que ele, avise-me.

Nicholas Sparks em Um Amor para Recordar.

Uma quase carta de Eduardo para Laura


‎- Parte 4 –

Carta não entregue. Dez de março de 1941, 22h00min horas.

“Querida Laura,
Amada Laura,
Minha Laura,

Laura, não sei mais como te chamar. Nada verdade, eu sei, mas sei que não aceitaria depois de toda nossa história. Já revivi aquela noite uma centena de vezes. Foi maravilhoso, não foi? O jeito como nossos corpos se encaixaram, minha mão na sua, tua boca macia e bem desenhada beijando meu pescoço. Você ainda usa o mesmo perfume.
Desculpa se naquela noite pouco falei. Lembro sua expressão quando disse “Oi”; tenho certeza que me xingou mentalmente. Foi uma mistura de espanto com raiva, certo? Como você continua linda! Esperei você durante horas na manhã seguinte; não queria acreditar que não voltaria até que eu saísse da casa. Leu meu bilhete? É tudo verdade, Laura. Acredito em tudo que disse a você; espero que acredite também. Estou com tanta saudade. Sinto falta das noites que saímos para dançar ou ir ao cinema, das manhãs que você me acordava aos gritos só para me assustar (risos), tenho saudade de tudo que diz respeito a nós dois. Ontem fui à loja de doces da Dona Maria, comprei os doces de chocolate meio amargo que você gosta e planejei entregá-los a ti. Tudo em vão.
Saí com uma mulher um dia desses; nem sei o motivo de está contando isso... Passei duas horas com ela e a chamei pelo teu nome, ela me perguntou se estava bem num tom de voz histérico, é claro que menti. Não deu certo com essa, obviamente. Laura, vamos tentar consertar nossa relação. Eu te amo tanto. Sei que você vai dizer: “Esse otário acha que pedir desculpas vai reconquistar tudo que perdeu”. Não sei mais o quê fazer... Estou começando a achar que é melhor viver outras histórias e entender você.

Com amor, Eduardo.”

[...] A carta já está toda amassada por ter lido várias vezes, mas tenho certeza de que Laura nunca irá ler. Sou um grande covarde! Sinceramente, espero que outro homem tenha a sorte de presenciar aquele sorriso que preenche uma casa inteira.



Valyne Oliveira
‎- Parte 3 -
Diário de Laura, dia 235. Cinco de março de 1941.

BURRA, BURRA E BURRA! Você acha certo o que fizestes na noite passada, Laura? Cá estou falando comigo mesmo pela centésima vez. Por volta das oito horas na noite de ontem, a campainha tocou e corri para abrir a porta. Quase não acreditei quando dei de cara com o Eduardo. É, o filho da mãe por quem choro toda noite antes de pegar no sono, o próprio. Fiquei tão nervosa; comecei a suar, ficar com as mãos trêmulas e inquietas, parecia que estava recebendo socos no estômago. Estava indecisa entre abraça-lo e enchê-los de chutes no meio das pernas. Foi uma briga interna tão grande que ele percebeu, mas só disse: “Oi!” Oi? Como é que alguém com quem você transou, trocou segredos, fez carícias e mais uma centena de pequenos gestos de amor diz apenas isso? Outra decepção; só para variar mais uma noite dos horrores! Se eu tivesse conseguido gritar tudo que está engasgado tenho certeza de que o Eduardo teria descido correndo escadaria abaixo. Pedi que entrasse, parecia surpreso, mas não recusou. Ofereci um copo d’água, busquei o mais rápido que pude e sente-me na poltrona floral de frente para ele. Ficamos em silêncio por cerca de dez minutos; passei cinco minutos observando meu tapete e o Edu me analisou cada segundo dos dez minutos mais longos da minha vida. Sem exagero! Não sabia se perguntava se estava tudo bem, se ele tinha jantado, onde estava morando; mas soaria tão louca quanto, realmente, estou. Como ele continua lindo; o mesmo jeitinho, mesmo corte de cabelo. O tempo tinha parado ou nem começou a andar para ele.

__ Laura? 
__ Hm?
__ Estou com saudades. Muita saudade!
__ Você está louco? Bebeu antes de vir até aqui? Você acha que pode tocar a minha campainha, dizer que está com saudade, muita saudade e não sei mais o quê e consertar tudo? Mais que droga de pensamento é esse? Eduardo, você tem noção de quantas vezes deixei de dormir pensando em cada momento que tivemos, relembrando nossa primeira vez e perguntando para as paredes se eu era a errada da história? Têm noção disso? 
__ Desculpa. Prometo que farei de tudo para ficarmos bem; como se nada tivesse acontecido! Por favor, minha linda.
__ Pelo amor de Deus, para de falar tanta besteira, nojento! Eu odeio, odeio de todo coração tudo que ainda sinto por você. Eu te odeio! 
Minha voz saiu entrecortada pelo choro desesperado. Gritei para toda vizinha ouvir. Chorei até sentir meus olhos arderem. Doeu tanto desenterrar tudo. Imaginei mais uma vez ele deitado com outra na cama; fazendo sexo, todo suado, despindo as roupas que eu havia dado no último Natal.
Eduardo estava ajoelhado tão próximo a mim que podia ouvir a respiração sufocada pelo pavor de me ver naquele estado. Suas mãos tocaram meus joelhos, logo depois ele encostou a testa nos nós que meus dedos faziam no meu cabelo. “Por favor!”, ele repetia baixinho. Segurou meu queixo com uma das mãos, beijou meu rosto e deixou as lágrimas percorrem o rosto cansado. Não me pergunte como fomos da sala para meu quarto, mas lembro do momento no qual paramos de chorar e sorrimos um para o outro. FOI MARAVILHOSO! Por algumas horas me deixei esquecer as horas de sono perdidas, o cansaço da manhã seguinte, briga com amigos por conta de toda situação e mais choro. Pareceu a primeira vez, não tivemos pressa e muito menos pudor. O bairro escutou todo nosso desespero no início da noite e, logo depois, horas de intenso desejo saciado. Acordei um pouco antes dele, deixei um recado na cabeceira da cama e tive que sair da casa até ele desistir de esperar.
Voltei na hora do almoço e encontrei outro bilhete: “Nunca esqueci você, Laura. A noite de ontem foi a prova de que você também não me esqueceu e devemos ficar juntos. Encare isso como uma história escrita por Deus, onde passamos por testes para provar que merecemos um ao outro. Desculpa se ti fiz chorar, mas saiba que chorei cada manhã que acordei e não encontrei a cama bagunçada, seu cabelo desajeitado e o teu desespero para parecer menos desarrumada. Eu te amo, linda”. Não chorei e nem tive vontade. Estava em choque. Comi, tomei banho e estou tentando montar o quebra-cabeça da minha vida até agora. São onze da noite e ainda não encaixei cinco peças dele.


Valyne Oliveira

Lembrete: A vida vai te fazer amar quem menos espera. Não recuse essa chance. Aproveite cada oportunidade para sorrir.

Tento disfarçar que sou louca por ti, e sempre me pergunto o porquê dessa tola tentativa.

Valyne Oliveira

Não existe meio termo para o amor. Ou você o sente ou é mais um engano. Não existe espaço para dúvida.


Observação: Segunda parte do texto “Diário de Laura”.
Diário de Laura, dia 152. Cinco de março de 1940.

Dois anos e um mês que tudo morreu. Posso não escrever todos os dias sobre você ou sobre nós dois. Sinceramente, evito fazê-lo já que é mais doloroso do que tranquilizador. Fiz muito em dois anos, creio que tenha sido uma tentativa desesperada de tentar apaziguar a vontade de você e desejo de que morra. Meu guarda-roupa todo mudou. Lembra-se daquele vestido de algodão? Deve estar no corpo de outra mulher; fiz uma doação e ele foi, acidentalmente ou não, junto. Ele me lembra daquela vez que ficamos deitados contando as estrelas e conversando sobre nada tão importante. Estava tão frio, lembra?
Ontem sai com um homem lindo, carinhoso e dono de um corpo maravilhoso. Acredita que não dei uma gargalhada com ele? Foi deprimente. Ele já deve ser o décimo da lista de homens que sai, bebi e não senti nada, além de sentir desejo. Não era você, Eduardo. Esse é o problema, a droga do problema. Um deles me pediu em namoro, o nome dele é Ricardo; é para fazer piada com a situação toda? Um homem maravilhoso com o nome que rima com o seu. Estou perdida. Continuo a me sentir dormente.
O cara do leite perguntou por você hoje. Ele só pode beber, e muito. Como foi que não percebeu? Acordo todas as manhãs com cara de quem chorou a noite toda e de mau-humor. Homens são tolos demais. Noite passada fiquei imaginando se está bem, como vai o trabalho e se conseguiu começar os estudos. Ainda dói tanto e nenhum remédio deu jeito. Mamãe perguntou se vou morrer; quanto exagero!
São dez e meia da noite e cá estou escrevendo sobre você. Decidi que farei isso todo ano no dia cinco de março. Espero que no dia cinco de março de 1941 tenha conseguido começar os estudos, seja promovida e quem sabe ter esquecido você. Duvido muito, Laura. Afinal, começar a falar consigo mesmo é um indício de que tudo está mais fora do controle do que estava.
Hoje chorei menos. Quem sabe amanhã consiga dormir mais cedo. Espero que tenha uma boa noite, Edu.



Valyne Oliveira

Observação: O texto é meio que uma continuação do conto "Uma quase história de amor".

Diário de Laura, dia um. 05 de março de 1938.

Chorei por dois dias seguidos. O som do rádio ligando me fazia chorar, a geladeira cheia de frutas me fazia chorar, o cachorro do vizinho também. Incrível como aquele cafajeste está em tudo que vejo, ouço e penso. É uma droga! Ele nem dorme mais comigo e o sinto todas as noites ao meu lado na cama. O perfume dele está presente em cada canto do apartamento no qual ele nunca pisou. INFERNO!

Faz um mês que o vi pela última vez. Juro que nem lembro o que fiz depois que ele me contou o que havia acontecido; quando vi estava abrindo a porta do nosso apartamento ouvindo os soluços do Eduardo. Eduardo...estranho chamá-lo pelo nome, parece um desconhecido, e é, de uma forma ou de outra. Aquela noite foi difícil, lembro de não ter comido nada durante o dia, senti uma dor de cabeça de outro mundo!

Já mencionei as dezenas de vezes que o telefone tocou nesse dia? Foi doloroso deixá-lo tocar, poder atender e não fazê-lo. Ele me ligou todos os dias que seguiram, perguntava por mim para todos nossos conhecidos, deixava recados. O Eduardo ainda faz isso e não consigo deixar pra lá. Minha cabeça dói toda vez que vejo o rosto dele nas minhas lembranças. Não paro de sonhar com nós dois. Está fora do controle.

Numa noite de março sonhei que estávamos no banheiro do nosso apertamento, estava a beijá-lo e ele fazia carinho nas minhas costas. Não foi nada erótico; só representou o quanto nosso amor era sólido e puro, entende? Como foi que eu perdi a direção de tudo?

O QUE É ISSO,LAURA? JÁ PASSOU UM MÊS. CHEGA! PARA DE CHORAR AGORA!

Boa noite, querido diário. Tenho pena sua por me deixar escrever esse fracasso de romance.



Valyne Oliveira

Um quase história de amor

__ Ela é linda,não é? - diz Eduardo ao seu amigo Emanuel.

__ Quem? - pergunta Emanuel.

__ Laura… - responde Edu, pensativo.

Laura era a senhora com 70 anos de cabelos grisalhos, gestos graciosos, cabelos amarrados em um coque bem estruturado, vestida numa conjunto elegante de saia e terninho azul usando uma sapatilha com estampa floral. Ela sempre foi do tipo vaidosa, que não vai à praça sem usar um batom cor de pele e pó compacto. Ao lado dela estava sua amiga de infância, Helena, com quem conversava por horas. Sempre ao anoitecer, na mesma praça próximo a sua casa, nos últimos 15 anos. Eduardo a observava sentado no mesmo banco do outro lado da praça.

__ E quem é Laura, Eduardo?

__ Ela era minha noiva, minha princesa, minha linda. - explica vagarosamente.

__ Você está ficando caduco, homem…

__ Você não sabe de nada, Emanuel! - exclama num tom mais alto.

__ Tudo bem. Você pode me explicar?

__ Laura namorou comigo quando tínhamos 20 anos. Ela sempre foi linda, o jeito como andava, mexia o cabelo, gargalhava; tudo nela era especial e exala vivacidade. Ao mesmo tempo que era um furacão, também tinha seus momentos de brisa. Sussurrava palavras engraçadas e frases obscenas quando estávamos a sós. Tinha um jeito delicado de fazer tudo,sabe? Dormia tão quietinha e ainda assim a cama amanhecia bagunçada, falava baixo e gargalhava por tudo, tudo mesmo. Tinha o costume de fazer tudo por mim, resmungava mas, no fim, fazia o que estava precisando. Brigava comigo quando eu teimava, parecia minha mãe. Ah! Ela não gostava quando eu arrotava em público ou gritasse. Era chata, metódica e tudo que você pensar, e mesmo assim a mulher mais perfeita do mundo,meu caro amigo. Tinha ciúme da vizinha, do cachorro, do vigia da vizinhança gay, da mulher do padeiro e se duvidar das minhas roupas; ela amava tirá-las. Depois de 3 anos de namoro a pedi em casamento, ela tinha um certo pavor dessa palavra; engraçado isso vindo da pessoa mais romântica que eu conheci. Fiz o pedido logo depois de fazermos amor. Lembro como se fosse hoje. Laura disse sim na mesma hora e me encheu de beijos. Sorríamos tanto…

__ Continua,meu amigo. 

__ Não consigo. Nunca vou me perdoar. A machuquei tanto. Fui um canalha! - rosna Eduardo para quem quisesse e pudesse ouvir.

__ Prossiga.

__ Dois meses depois de pedi-la em casamento, tivemos um briga boba e sai batendo portas. Estava estressado e descontei tudo nela. Cheguei no bar, próximo a nossa casa, bebi cinco doses de uma bebiba qualquer. Meia hora depois aproximou-se uma mulher muito sexy, usando vestido preto e justo, cabelos ondulados,longos e negros. Conversamos e fomos parar na cama dela. Não me pergunte o nome; não me recordo ou fiz questão de esquecer… Amanheci ao lado daquela desconhecida. Levantei, me vesti o mais rápido que pude e quando cheguei em casa Laura estava deitada no sofá dormindo profundamente. Esperei ela acordar. Contei tudo que tinha acontecido e ela não fez nada. Nada! Somente levantou, olhou me mais uma vez e foi direto ao quarto. Chorei, chorei e Laura apareceu com duas malas, abriu a porta e nunca mais ouvi o som da sua voz.

Eduardo chorava tanto que suas palavras confundiam-se com os sons da rua.

__ E depois? - pergunta Emanuel.

__ Liguei durante semanas, meses, anos. Fiz de tudo. Mandei recados, fiz serenatas, escrevi cartas. Ela deixou um último bilhete na minha porta:”Nunca mais procure-me. Não preciso mais de você. Tudo que tinha de você em mim, tu mesmo quebrastes. Esqueça-nos!”. Foi o que eu fiz nos próximos 50 anos. Laura namorou muito mas não casou com ninguém. Adotou uma menina. Formou-se, viajou e aprendeu a tocar piano. Tive muitas mulheres, não poderia ficar sozinho, mas nunca as amei…

__ E hoje você a observa como sempre fez. Certo? - pergunta Emanuel.

__ Hoje, amanhã e até quando estes olhos puderem apreciar minha linda, Laura.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Todos os dias você tem a chance de ser feliz; seja tomando uma xícara de café ou ao observar o azul do céu. A felicidade é simples, você que a enfeita com complicações.

Posso contar um segredo, meu amor? 

Passo horas imaginando nossa casa. Podemos ter um labrador cor de caramelo? Prometo que ele será adestrado e não vai comer teus sapatos. Não precisa ser um lar grande, mas adoraria que tivesse uma varanda com cadeiras confortáveis e artesanais, adoraria um jardim cheio de tulipas, margaridas e rosas brancas. O sol invadiria nosso quarto ao amanhecer, teríamos cortinas brancas e longas, a cama seria bem aconchegante e com lençóis de algodão. Podemos revezar quem faz o café da manhã nos fins de semana? Você sabe que não gosto de cozinhar, mas para nós abro uma exceção.
Depois de você jogar futebol no domingo pela manhã, à tarde poderia fazer um lanche e você escolheria o filme para assistirmos até o anoitecer. A varanda seria perfeita para nossas conversas sem fim e sem sentido. Os vizinhos ficariam assustados com tanta gargalhada. Já imaginou?
Você tomaria banho comigo, esfregaria tuas costas, diria frases obscenas e ficaria deliciada com teu sorriso surpreso. Algumas noites serão pequenas para nossos corpos suados e o sol nos dará bom dia. 
Não existe meio termo para o amor. Ou você o sente ou é mais um engano. Não existe espaço para dúvida.
Sorrisos dados de mãos entrelaçadas são bem mais gostosos.
Ponha um ponto final naquela história que você cansou de olhar tantas reticências.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Só quero lembrar do teu sorriso quando eu quiser chorar.
Parte 1, 21 de agosto de 2005. / Quando tudo começou: a história de Safira e Gabriel.

Nasci cega. Muitos podem achar assustador, mas eu me considero tão “comum” quanto qualquer amigo ou amiga minha. Curso o primeiro ano de Psicologia. Hoje estou começando uma nova etapa na minha vida: vou escrever sobre minha rotina. Dona Suzana, minha mãe, disse que é uma boa ideia e que isso vai fortalecer meus pensamentos. Não entendi muito o quê ela quis dizer com isso, mas sei que ela tem razão já que escreveu durante toda sua juventude e continua a ser uma mulher brilhante.
O computador é minha ferramenta de trabalho. Meus pais ficaram surpresos ao me ver usando-o com tanta facilidade. Quanta bobagem, certo? Moro próximo a universidade e a considero meu segundo lar. É muito bem estruturada para pessoas com deficiência assim como eu. Tem um programa de reabilitação para crianças que ficaram ou nasceram cegas; quero muito trabalhar com elas num futuro próximo.
Sinceramente, não queria começar um “diário”, mas alguém me fez pensar que seria uma ótima ideia. Ele se chama Gabriel, tem 21 anos, um ano a mais do que eu. O conheci na lanchonete próximo a minha casa; vou a essa charmosa lanchonete desde sempre. Era um sábado, desejava um sundae que só Dona Luisa, dona do “Com doçura”, sabe fazer. Sentei-me na cadeira alta próxima ao balcão. É uma cadeira macia de estofada vermelho, segundo minha mãe. Senti alguém sentando próximo a mim: perfume cítrico, passos leves, respiração compassada, movimentos cuidadosos.
___ Não quebro com facilidade. Não se preocupe. Disse num tom de brincadeira.
___ Ah! Desculpe incomodá-la.
___ Relaxa. Estou brincando. Qual seu nome?
Silêncio.
___ Alô? Perguntei, desconfiada.
___ Desculpe-me. Você é incrível. Não quero ser grosseiro, mas venho te observando faz duas semanas.
Sorri um pouco assustada e lisonjeada.
___ Nome, senhor desconhecido.
___ Gabriel Buarque.
___ Safira, apenas Safira.
Ouço o som gostoso do sorriso dele e me parece autêntico.
Conversamos durante duas horas e fomos interrompidos por Dona Suzana, meu pai a chama de Sargento nas horas vagas, Seu Pedro é hilário. Descobri que ele faz Engenharia Civil, joga futebol e adora assistir filmes. Tem um cachorro chamado Babão, nome estranho e engraçado, e ele tem 5 anos de idade. Mora com os irmãos mais novos, Luan e Davi, 18 e 19 anos, respectivamente. Pediu para me levar ao cinema neste sábado. Aceitei e, na volta para casa, percebi que o aquele sorriso tem “gostinho de quero mais”. Devo dizer que estou ansiosa e já experimentei cada roupa do meu guarda-roupa? Creio que não.

Boa noite, anjo Gabriel. Faltam três dias para vê-lo.

(continua)
Minha boneca de porcelana,

Lembra que você odeia que a chame assim? Faz tempo que não a chamo assim... O avião já deve estar sobrevoando a cidade enquanto você ler esta carta. Estou com medo -devo confessar- muito medo. Os últimos dias foram estranhos e não sei bem ao certo como vamos ficar depois da notícia que lhe dei. Foi doloroso dirigir até sua casa; juro que segurei cada lágrima que ardia em meus olhos. Jamais esquecerei a expressão de espanto e desespero ao receber a notícia de que seria transferido no trabalho para o outro lado do país. Ainda está de pé a proposta de ir me visitar, assim que acabar tuas aulas na universidade?
Estou relembrando tua gargalhada quando falo alguma bobagem. É interessante como nos apegamos a qualquer detalhe, só para ter certeza de que tudo é tão firme quanto aparenta ser. O nosso apartamento não será vendido. No futuro, quero vê-la desfilando toda manhã vestida na minha camisa sem usar nada por baixo, e ainda assim ser a mulher mais bem vestida. Não tive coragem de deixar você; sei que é egoísta da minha parte, mas não posso desistir de nós dois como se não tivéssemos escrito cada frase da nossa história.
Proíbo você de chorar, dizer que está com saudade e quer meu colo; saiba que isso me fará sofrer e não estou disposto a isso, mocinha! Você vai ter que sair nos fins de semana, dançar e conversar com cada amiga tua até ficar cansada e dormir abraçada na almofada que deixei na sua cabeceira.

Seja forte, minha linda.

Com saudade, teu “mô”.
Seja sincero quanto ao que você sente. Sentimentos fingidos matam quem os falsifica.

A história de Safira e Gabriel

___ Abra os braços, amor.
___ Por quê?
___ Quero que sinta isto...
O vento sopra meus cabelos, o mar salpica meu rosto, o canto dos pássaros preenche o dia, o sol toca minha pele delicadamente.
___ Onde estamos Gabriel? – ela pergunta maravilhada.
___ Estamos um pouco longe da cidade, é um lugar lindo, aposto que já percebeu isso. É bem alto, espero que não tenhas medo de altura, Safira. – ele sorri da própria piada.
___ Até parece que eu tenho medo, chato! – Ela resmunga enquanto ele se delicia com as caretas de reprovação que ela faz.
___ É bom, não é?
___ Adoraria olhar como é tudo, Biel. Gostaria de ter a sensação, pelo menos uma vez, de sentir os olhos arderem ao olhar por alguns segundos para o sol, observar as gaivotas à procura de peixes na superfície do mar.
Ela confessa num tom de voz embargado por lágrimas.
___ Ei! Já disse que não precisa poder enxergar para saber como tudo é lindo. Não precisa disso, Safi. Quantas vezes tenho que dizer para que se convença?
___ Pode repetir o quê você vê em mim?
___ Tu és pequena e acabou.
Ele diz num tom de brincadeira e consegue arrancar um sorriso dela.
___ É sério.
___ Você é uma boneca, Safira. Pequena, dona de lábios e olhos bem desenhados, rosto pequeno e delicado, cabelos pretos e ondulados. Têm as mãos macias, braços do tamanho certo, cintura fina, pernas perfeitas e um bumbum lindo.
___ É bem melhor do que a descrição da minha mãe.
Ambos sorriem com o comentário.
___ Por que me trouxe aqui, amor? – ela pergunta curiosa.
___ Quero te fazer um pedido... Minha linda, você aceita namorar comigo?
___ Mas somos namorados, bobo.
___ Mas, a senhorita não têm isto.
Gabriel põe uma caixinha de veludo nas mãos de Safira. Dentro encontra-se uma aliança com os dizeres: “Ninguém pode explicar...”. Ela passa os dedos sobre as letras e pergunta:
___ Ninguém pode explicar o quê?
Ele tira uma aliança do bolso e diz:
___ Nosso amor, Safira. Quis ficar com a segunda parte da frase já que você é o motivo de tudo que já vivi de bom até agora.
Ela procura o rosto dele e o beija carinhosamente, deixando cair lágrimas de alegria.
___ Quero lembrá-la que você não é um peso na minha vida. É um prazer poder chamá-la de “minha”. Aprendi mais contigo em um dia do que durante todos os anos da minha vida. Vou ser teu amigo antes de tudo, certo? Só assim vou poder dar uns “carões” quando quiser dá uma de fraca. Eu te amo, guria.
O fim de tarde encomendava uma noite de tirar o fôlego. Tudo estava preparado no carro. Barraca, cobertores e lanches. Esta noite será guardada no álbum de fotos que Safira tem em seu criado-mudo. O que sobra dela será um segredo protegido por ambos.

Valyne Oliveira 
As pessoas têm o costume de procurar o amor em copos de bebida ou em bares cheios de indivíduos que afogam sua carência numa garrafa de Vodka. Tão tolos!
Um amor que entra em combustão a cada toque e se recompõe depois de um beijo.
Beber para amenizar um problema, só irá fazer com que ele lateje com mais força no dia seguinte

Se não for amor é o quê então?

Essa necessidade de você,
a vontade dos teus beijos que não passa,
a espera da tua música no meu celular.
Se não for amor é o quê então?
Se não for amor é loucura.

Valyne Oliveira
Manter distância para manter a sanidade.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Deixa eu ser tua poesia no pôr-do-sol.

Carta de uma noiva

Aposto como seu estômago está doendo, tuas mãos estão suadas e você não para de olhar o relógio. O smoking deve está suado e tua boca deve estar seca. [...] Estou sentada na nossa escrivaninha escrevendo cada palavra com todo carinho possível, meu amor. O conheço bastante para afirmar que sente tudo que acabei de detalhar. É amanhã. Você já parou para pensar como isso é importante e grandioso? Estou tão ansiosa que mal consigo dormir; já tomei cada chá que tinha no armário. A geladeira acabou de me abandonar, comi tudo que tinha glicose. A tua irmã dormiu; nem ela me aguentou.
O nosso casamento. Soa tão certo e ainda assim tenho medo de tudo que está por vir. É semelhante à sensação de quando tivemos nossa primeira noite, imaginei um milhão de vezes e nada se comparou ao que aconteceu naquele dia, amor. Garanto a ti.
Depois de três anos juntos, nada mais justo do que ter que te aturar o resto da vida certo? Aposto que você vai sorrir e pensar como foi se apaixonar por uma desastrada como eu, o tipo de mulher pouco sexy e extremamente desajeitada. Estou nervosa, muito nervosa, anjo. Nem sei mais o quê escrever.
É minha última carta antes do, tão esperado, “sim” e nela quero deixar bem claro que faria tudo mais duzentas vezes se preciso, andaria cada passo junto a ti mais uma vez, daria o primeiro beijo uma centena de vezes. Não me arrependo de ter ficado ao teu lado nas noites insones e difíceis, nos dias de gripe ou resfriado, nas tarde de estresse intenso. Amor também é viver os momentos de extremo prazer e de fraca alegria.
Pode me esperar; vou entrar num vestido branco, buquê com flores lilás e coração acelerado.
Com todo amor, carinho e respeito de alguém que te quer bem. Beijos, amor. Não tenha um ataque cardíaco, mocinho (risos).



Estou com saudade. Saudade, aquele buraco que começa raso e com o tempo torna-se uma cratera; é só procurar, vou estar lá contando os segundos para ver teu sorriso acolhedor. Estou com saudade, amor. Saudade da tua voz macia, teu cheiro quente, tuas mãos apressadas. Saudade da sensação do teu corpo sobre o meu, do teu suor sobre minha pele, da tua boca a fazer corridas pelo meu corpo. Estou com saudade. Saudade. Solidão. Quero teu cuidado, tua proteção. Quero dar uma surra no tempo só para ele ter noção do mal que me faz. E o tic-tac do relógio? É droga, uma imensa droga! Faz questão de lembrar que faltam horas para eu dizer: ”Estava morrendo de saudade, amor”.
Bom saber que posso abrir os braços e você preencherá o espaço.
Quero fazer poesia na tua pele, gravar versos de carinho, desejo te encher de dengos,amor.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

           Toda mulher carrega em si traços de primaveras destruídas por invernos.

Mensagem do dia


De: Eloá
Para: Sérgio
Assunto: Leia com atenção!
Data/hora: 01/01/2009 às 22h15min

Sinceramente, espero que tenha acesso àquela ponte que serve de atalho para a felicidade mais algumas vezes. [...] Lembra quando te falei que dava um passo de cada vez sobre essa ponte quando estávamos juntos? Tinha medo de tropeçar e por tudo a perder. Amarrei os cadarços, olhei onde tinha que pisar, segurei-me no corrimão; juro que fiz de tudo, mas o quê adiantou se para você não passava de mais um jogo de sedução. Era uma relação vivida por um para saciar o desejo do outro. Adivinha quem vivia a relação? Obviamente, o lado mais fraco: eu. Sempre fui de mandar-te cartas com palavras expressando o mais sincero sentimento que já cultivei: o amor. Recorda? Aquela palavrinha que usei tantas vezes para substituir teu nome no meu celular ou numa conversa contigo. Espero que leia essas linhas e veja o quanto te amei da forma mais carente de discrição. Foi tão egoísta por deixar-me alimentar tal sentimento, um sentimento merecedor da mais árdua doação de sinceridade e dedicação. Juro que não guardarei mágoas de ti, mas não peça flores quando só posso lhe oferecer espinhos. Leva tempo para curar um machucado no joelho, não é?
Entenda: meu coração e minha mente latejarão por um bom tempo. Não me peça para voltar, para termos mais uma noite e nem me prometa “mundos e fundos”; teus lábios proferem palavras que tua mente refuta.

Não quero rancor, não guardo mágoas. Tudo que é bom ficará e o resto será apagado.

Eloá.
Quero fazer poesia na tua pele, gravar versos de carinho, desejo te encher de dengos,amor.