sábado, 12 de janeiro de 2013


Observação: O texto é meio que uma continuação do conto "Uma quase história de amor".

Diário de Laura, dia um. 05 de março de 1938.

Chorei por dois dias seguidos. O som do rádio ligando me fazia chorar, a geladeira cheia de frutas me fazia chorar, o cachorro do vizinho também. Incrível como aquele cafajeste está em tudo que vejo, ouço e penso. É uma droga! Ele nem dorme mais comigo e o sinto todas as noites ao meu lado na cama. O perfume dele está presente em cada canto do apartamento no qual ele nunca pisou. INFERNO!

Faz um mês que o vi pela última vez. Juro que nem lembro o que fiz depois que ele me contou o que havia acontecido; quando vi estava abrindo a porta do nosso apartamento ouvindo os soluços do Eduardo. Eduardo...estranho chamá-lo pelo nome, parece um desconhecido, e é, de uma forma ou de outra. Aquela noite foi difícil, lembro de não ter comido nada durante o dia, senti uma dor de cabeça de outro mundo!

Já mencionei as dezenas de vezes que o telefone tocou nesse dia? Foi doloroso deixá-lo tocar, poder atender e não fazê-lo. Ele me ligou todos os dias que seguiram, perguntava por mim para todos nossos conhecidos, deixava recados. O Eduardo ainda faz isso e não consigo deixar pra lá. Minha cabeça dói toda vez que vejo o rosto dele nas minhas lembranças. Não paro de sonhar com nós dois. Está fora do controle.

Numa noite de março sonhei que estávamos no banheiro do nosso apertamento, estava a beijá-lo e ele fazia carinho nas minhas costas. Não foi nada erótico; só representou o quanto nosso amor era sólido e puro, entende? Como foi que eu perdi a direção de tudo?

O QUE É ISSO,LAURA? JÁ PASSOU UM MÊS. CHEGA! PARA DE CHORAR AGORA!

Boa noite, querido diário. Tenho pena sua por me deixar escrever esse fracasso de romance.



Valyne Oliveira

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