Ela é linda,
tão linda que seria fácil-fácil eleita a mulher mais sexy do mundo. A curva dos
seus lábios, a cor rosada e o formato delicado. A pele macia, seios pequenos,
pernas torneadas, pés de princesa. O cabelo é pretinho, cheio e macio. Toda pequena.
Acordei
primeiro, ainda está escuro lá fora e faz um pouco de frio... Puta merda! Como
eu tenho sorte de tê-la. O relógio informa que são 05h30min da manhã, tão cedo,
mas a cidade já está de pé. Chaminés fumegando, carros a trafegar, cães
latindo, gatos revirando lixeiras. O charmoso hotel Le Doux Paris também parece
ter acordado há, pelo menos, uma hora. A torre Eiffel parece ganhar vida ao
nascer do sol. Minha menina mexe-se na cama à procura de mim.
__ Estou
aqui, linda.
__ Ah! Bom
dia, amor. Que horas são? – Pergunta um tanto sonolenta.
__ Seis da
manhã.
__ Vamos
dormir mais um pouquinho?
__
Preguiçosa, daqui a pouco tem o café da manhã. Vamos tomar um banho quentinho e
nos arrumarmos.
O dia passou
tão rápido e conforme meus planos o clima esquentou com a mesma rapidez. O mês
de julho está muito imprevisível este ano, mas com uma ajudinha lá de cima minha
surpresa será uma delícia.
__ Vista
algo leve; de preferência um vestido. Quero você o mais confortável possível.
__ Qual o
motivo para tantas ordens?
__ Hmm,
surpresa.
__ Poxa!
Você sabe que fico ansiosa, Rodrigo...
Ela faz um
biquinho tão gostoso que tenho vontade de rasgar aquele vestido na mesma hora.
__ Vou ter
que vendar você assim que chegarmos ao elevador.
__ Tenho
outra opção? – Pergunta toda atrevida, como de costume.
__ Você sabe
que não.
Falei há
dois dias com Senhora Heloísa, dona do hotel, uma mulher simpática, sorriso
fácil, corpo pequeno, olhos sinceros e palavras sábias. Disse que seria um prazer
permitir que eu fizesse uma surpresa a Bela. São 19h00min. Percebo que Bela
está nervosa. Caminhamos em silêncio até o elevador. Ele começa a subir e ela
pergunta:
__ Para
aonde estamos indo?
__ Chegamos.
E o elevador
para num solavanco quando chegamos ao terraço do charmoso hotel. As portas
abrem e tiro a venda dela.
__ Meu Deus!
– E os olhos dela enchem-se de lágrimas.
Os
funcionários do hotel capricharam. Uma mesa pequena de metal e tampão de vidro,
velas num castiçal, cadeiras de madeira e acento acolchoado. Uma música
instrumental preenche a noite de uma forma espetacular. Vinho, saladas e carne
grelhada fazem parte do cardápio.
__ Surpresa!
Gostou meu amor?
__ Adorei. É
tudo tão lindo. Maravilhoso! Muito obrigada, meu anjo.
Sentamos-nos,
comemos tudo e a conversa fazia sentido até o momento que o vinho começou a
falar por nós.
__ Não mais
do que você...
A torre nos
faz companhia. Está iluminada com milhares de lâmpadas e brilha mais do que a
cidade inteira. A noite esquentou e minha imaginação está pegando fogo. Percebo
que D. Heloísa nos deu uma ajudinha: num canto mais escuro um colchão de ar,
coberto por um lençol escuro, nos covida para experimentá-lo.
__ Senta
amor!
__ Hmm,
quanto autoritarismo... – Seu tom de voz indica que ela ficou excitada.
__ Você tem
algum apego a este vestido? – Avanço para mais perto, assim posso sussurrar em
seu ouvido.
Não espero
ela responder e rasgo seu vestido. Percebo que ficou assustada, mas me disse
nada.
__ Quero
fazer amor com você, Isabela. Agora! Quero você nua e toda suada.
Ela balança
a cabeça num gesto positivo e tiro seu sutiã. Ouço seu arquejo e vejo que está
ruborizada. Sinto os dedos dela desabotoarem minha camisa de algodão e chegar a
minha calça.
__ Ainda
não.
Vejo sua
decepção, mas agora só quero vê-la nua. Beijo seu rosto enquanto minhas mãos
percorrem seus seios, os mamilos estão túrgidos. Quero prová-la, tocá-la,
deixá-la satisfeita. Tocamos-nos como nunca fizemos. Com urgência; desespero
até. Ela morde minha orelha, toco suas coxas, faço carinho em cada centímetro
do seu corpo. Sinto que está do jeito que desejei e tiro minha calça. Fazemos
amor como nunca havíamos feito. Sem preocupação, sem pressa e ao mesmo tempo
como se o mundo fosse acabar. Entreolhamos-nos e nada precisa ser dito.
Palavras não são necessárias e muito menos importantes agora. Adormecemos e o
nascer do sol foi nosso despertador. O dia nem precisa começar. Quero voltar
para a parte onde ela é somente minha. Pode ser agora? Quanto egoísmo,
Rodrigo... Quanto egoísmo!
Valyne Oliveira
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