Parte 11. Diário de Laura. Vinte de junho de 1945.
Coloquei o vestido de algodão que mais gosto; fiz um coque bem estruturado no cabelo, combinei os brincos de pérola com gargantilha que ganhei da minha vovó Lênora, calcei a luva rendada que comprei numa lojinha charmosa no Centro. Jasmim observa-me com tamanha atenção; não parecia ter pouco mais de um ano de vida, tão sagaz. Sorri para ela e a vi piscar os olhos diminutos para mim. Estava nervosa e ela percebeu: desceu da cama com dificuldade e veio cambaleante até mim, abraçou minhas pernas e ficou quietinha.
__ Oi, princesa. A mamãe ficou bonita?
“A mamãe ficou bonita?” Laura, isso não é um encontro amoroso. Lembra minha querida voz interna; ela soa arrogante. Lá no fundo sei que ela tem razão, mas é algo mecânico. Ajo por impulso; sinto-me como se fosse me encontrar com o Edu de sete anos atrás. Mamãe tocou a campainha bem na hora marcada. Respirei fundo, peguei a pequena Jas no colo e fui abrir a porta.
__ Oi, minha querida! – Ela disse. E abraçou a nós duas.
__ Que bom que chegou mamãe! Estou tão aflita. Sinto-me pequenina, como se o mundo fosse me esmagar contra a lua.
__ Respira! Você parece uma pessoa descontrolada falando assim, Laurinha.
__ Tudo bem. Você está certa...
__ E como é que minha princesinha está? Tudo bem, Jasmim? – Dei Jas para que mamãe a carrega-se e comecei a andar em círculos na sala.
__ Minha filha, cuidado para não abrir um buraco no chão.
__ Mãe! Ou faço isso ou me jogo da janela.
__ Quanto drama... Eduardo é um simples homem, minha filha. Outros virão. Então mantenha a calma, permaneça de cabeça erguida e vá de salto.
__ Salto? Mãe, isso é um conselho?
__ Confie em mim. Sempre que estava com medo ou nervosa quando tinha um encontro, usava o meu melhor salto e fingia que estava muito segura de mim.
Não consegui dizer nada. Dona Lola é uma mulher incrível e deve saber o que diz. Quase cinco e meia da tarde. Precisava me apressar.
__ Volta daqui duas horas no máximo.
__ Espero que não.
__ Mãe!
Abri a porta e sai sorrindo. Assim que cheguei ao térreo, minha barriga entrou em desespero, minhas pernas fraquejaram, a luva começou a incomodar. Em vinte minutos cheguei à entrada do Café com Açúcar. Respirei fundo e espiei os clientes. Parei de respirar por dois segundos. Lá estava ele, numa mesa mais afastada, de costas para a rua. Ele tinha, e pelo visto ainda têm o costume de escolher sempre a mesa mais discreta. Jaqueta que herdou do avô, camisa de algodão, calças e sapatos confortáveis. Aproximei-me da mesa a passos curtos e ele virou-se para mim, abriu um sorriso e indicou a cadeira logo à frente dele.
__ Confesso que estou aliviado, muito aliviado...
Comentário estranho. Edu nunca perdeu esse costume. Suspiro.
__ Aliviado? Sou uma dama e isso quer dizer que não falto a um compromisso, Edu-eduardo.
Ele achou graça em alguma coisa. Estou indecisa entre minha gagueira nervosa ou minha arrogância de sempre.
__ Sei disso, Laura.
Ah! O jeito como ele fala meu nome, a forma que os lábios se movimentam, o tom da voz. Respirei fundo.
__ Vou pedir um café. Você quer? – Perguntei a primeira coisa que veio à mente.
__ Já pedi. Você ainda gosta com bastante leite e doce?
“Isso não vai dar certo, isso não vai dar certo, não vai dar!” Minha voz interior voltou.
__ Sim. E obrigada. – Não tinha estrutura para dizer mais nada.
__ Você deve estar se perguntando o motivo deste encontro... Certo?
__ Com certeza.
O vi mexer no bolso da jaqueta e retirar uma folha de papel bem dobrada de lá. Qual era a invenção de agora? Na dúvida, corro até chegar a minha casa.
__ Posso ler?
__ Como? Ler para mim? Não acho apropriado, Eduardo.
__ Para você. Pare com isso! Respeite o quê estou fazendo por ti, Laura.
__ Certo papai.
__ Amadurecer para quê, certo? – E sorriu, deliciando-se com minha infantilidade. O vi respirar profundamente, olhar para mim e depois para o pedaço de papel e então começou a ler.
__ Laura, as flores que você trouxe para meu apartamento secaram há muito tempo, os discos que ouvíamos estão cheios de poeira, guardei tua almofada no guarda-roupa junto com a toalha lilás que você deixou para trás. Os quadros que pintastes nas manhãs de domingo estão escondidos dos meus olhos, tua xícara escondi no fundo do armário, tua escova de cabelo também foi esquecida. Você não esqueceu nem uma foto nossa. Por quê? Não pense que isso foi o bastante para esquecer o jeitinho do teu sorriso, a cor dos teus cabelos, o tom da tua pele. Volta e meia sonho com nós dois. É engraçado porque me parece errado quando estou acordado, mas é tão bom quando estou dormindo. Penso em você com mais frequência do que deveria Laura. Fico imaginando nós três juntos. Sim. Você, eu e Jasmim. Aliás, que pequena linda. Muito parecida contigo; sempre soube que quando fosse mãe, teu filho seria digno de uma propaganda na loja de bebês. Estou sozinho ao contrário de ti. Não tenho uma princesa de meio metro de altura para compartilhar minhas alegrias e tristezas.
Meus amigos dizem que você “acabou” comigo, me deixou ranzinza, mas é mentira. Graças a ti pude por em prática sentimentos bons que até então desvalorizava. Engraçado como alguém com um metro e sessenta de altura pode desnudar a alma de um cara como eu. Pensei em entregar-te esta carta centenas de vezes durante esses anos, porém não sou corajoso o bastante e sei que você jogaria todas elas no lixo. Não sei se foi o destino, os anjos ou Deus que marcou nosso reencontro na quermesse; gosto de acreditar que era para ter acontecido e pronto.
Desculpa se estou soando piegas, sem graça ou cruel demais por mexer com um assunto tão frágil. Por favor, não corra assim que eu terminar esta frase, preciso que você responda, grite, sussurre ou qualquer reação.
Tudo ficou borrado, minha vista perdeu um tanto do foco. Uma sensação de não ter comido há muitas horas. Levantei, esbarrei em uma mesa ou cadeira, lágrimas dificultaram tudo. Corri, ouvi gritarem meu nome, ele chamou meu nome, na verdade. Cheguei a uma pracinha simples: bancos pequenos, casais, famílias, cães, conversas. Sentei-me próxima a pequena fonte, coloquei meu rosto entre minhas mãos e escondi minha tristeza do mundo. Senti a forte fragrância da colônia que ele sempre usou bem ao meu lado.
__ Laura?
Não sei se é correto, sensato ou normal, mas precisei abraça-lo. Os braços, o cheiro, o conforto, tudo de volta em pequenos segundos.
__ Você é louco e quer me deixar louca também?
Minha voz estava encharcada e percebi que ele estava sorrindo, só que não tive coragem de soltá-lo. Nossas respirações estavam em conflito. Senti que ele estava me soltando bem devagarzinho e de um segundo para o outro estávamos nos beijando. Sentia tanta saudade que o beijo parecia pouco. É errado, sei que errado, porém minha voz interior parecia adormecida e não fiz questão de acordá-la. O que aconteceu a seguir foi confuso: levantamos-nos depressa, andamos com mais pressa ainda e em questão de quinze minutos Eduardo fechava a porta do apartamento dele. Tirávamos as roupas com desespero; parecia que o mundo ia acabar e tínhamos apenas aquele momento para despir cada sentimento guardado no peito. Nada foi dito, não era preciso. A cama rangia com o peso dos nossos corpos, os lençóis estavam espalhados no escuro do quarto. Lembro-me de adormecer quando o céu começou a ficar acinzentado. Acordei alarmada. Eduardo dormia como uma criança: quieto e sorrindo com os anjos. Não podia lidar com aquilo, corri para o banheiro, coloquei minha roupa. Sou covarde, eu sei. Fechei a porta e disse a mim mesma que havia enlouquecido há muito tempo e nem percebi.
Valyne Oliveira
sábado, 18 de maio de 2013
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Parte 10
Diário de Laura. Dez de
junho de 1945.
A Segunda
Guerra Mundial aparenta dá sinais de cansaço. Não creio que ainda vá durar
muito tempo; mais alguns meses, tudo voltará a ficar em silêncio (ou não). Para
mim, pouco fará diferença. O reencontro com Eduardo mexeu comigo. Ele ainda faz
meu coração disparar; parece um carma ou qualquer outra coisa que incomoda
muito.
Passei o
último mês pensando se devo ou não voltar a falar com ele. Seria muito imaturo
ficar nessa situação morna? Nessa indecisão? Sete anos... Uma história pode
durar tudo isso? Um momento. História? Não definiria nossa bagunça como
“história”, mas parece um conjunto de momentos embaçados. O primeiro beijo que
fez meu coração palpitar, a primeira relação amorosa. Piegas, eu sei.
Os dias
passam tão devagar e não sei ao certo como reagir. Jasmim é uma criança feliz,
do tipo que sorri do vento mexendo com os cachos dela. É a melhor companhia que
alguém pode ter. Aprendeu a falar mamãe, soa engraçado, mas como sou boba é a
coisa mais linda do mundo. Fiquei tão feliz que compus uma música. É cômico
vê-la balançando o corpinho ao ouvir a composição.
Enrolei
demais; tenho esse costume quando o assunto é ELE. Preciso contar: Eduardo a
pegou no colo, ela pareceu gostar dele. Não pude negar. Imagine: uma quermesse,
barracas com pessoas amontoadas, os cheiros dos pratos trazidos pela comunidade
exalam por todo canto. Conversas misturam-se num zunido alegre e quente. O
final do dia aproximasse, o tempo fica ameno. Crianças correm e caem a todo
instante. Encontro Dona Lola, minha mãe, conversando com um senhor simpático
próximo a barraquinha de doces do grupo de idosos, do qual ela é a
organizadora.
__ Oi, minha
filha! Que ótimo que veio.
Gritou minha
mãe em meio à multidão de vozes. Sorridente, como sempre.
__ Minha
princesinha Jasmim. Sua mamãe lhe tirou da caverna?
Jasmim sorri
parecendo entender tudo que Dona Lola diz. Ela percebe que estou desconfortável
e diz:
__ Ele virá,
Laura. Acostume-se com isso. Converse com as pessoas e coma algum doce. Finja
que nada aconteceu. Não saia correndo, por favor!
Dei um
sorriso amarelo como resposta e fiz o que ela disse. Jas apontava para os
balões, coloquei a no chão, segurei a pequenina mão e caminhamos até “O Homem
das Bexigas Coloridas”. Ele usava trajes coloridos e maquiagem divertida.
__ Quanto
custa...
Era ele. O
Eduardo. Congelamos por um instante; Jasmim sorria para os balões. Respirei
fundo, engoli saliva, me recompus.
__ Que
menina linda! Quer quantos balões?
Ele riu e
manteve a personagem. Nunca esqueci aquele sorriso. Jasmim balbuciou algo
parecido com “quero” e gargalhou ao vê-lo mexer nos balões.
__ Posso
carregá-la, moça?
Pessoas
esperavam que eu terminasse meu impasse. Ouvi muitas crianças reclamarem e o vi
pegar Jasmim no colo.
__ Oi,
princesa! Tudo bem? Você gosta do balão vermelho?
Eduardo
entregou-a para mim e desamarrou duas bexigas vermelhas.
__ É um
presente. Aceite, Laura.
__ Hmm...
Não sei.
__ Quem é o
próximo? – Ele ria para as crianças e seus pais na esperança de amenizar a
espera. __ Precisamos conversar. Encontre-me no Café com Açúcar sábado à tarde,
por volta das seis da tarde. Não falte, Laura. Por favor.
Dei as
costas a ele e caminhei com uma Jas feliz da vida nos braços. Ela nem imaginava
que a mãe desmontava-se a cada passo.
Aí você me
pergunta: é bobagem ou falta de coragem se eu não for? É medo de não conseguir
lidar com a bagagem de sentimentos que nós dois criamos? Quanta bagunça! Já me
desfiz tantas vezes por culpa sua e basta uma dúzia de palavras vindas dos teus
lábios para me reencontrar.
Valyne Oliveira
sexta-feira, 5 de abril de 2013
ENCONTREI-TE
NA ESQUINA DA VIDA. PARTE 3.
O (re) encontro
*Mauro*
O bar está
barulhento demais. Mesas sendo arrastadas, cadeiras tiradas do lugar, pessoas
entram e saem num ritmo desconexo. Faz frio lá fora e muitos casacos amontoam-se
no cabide extragrande do lugar. Pedi água com gás com muitas pedras de gelo,
fui ao banheiro duas vezes e parecia que havia marcado um encontro com Julia
Roberts. “Encontro? Não é um encontro ainda, Mauro. Marisa o atenderá como faz
toda noite de sábado.” Diz a voz teimosa na minha cabeça. Ela é tão prepotente,
se acha a dona de toda verdade. Baixo a vista e quando ergo a cabeço, Marisa caminha
lentamente em direção à minha mesa. O cabelo preso num coque bem estruturado,
uniforme bem justo, mas não vulgar. Percebi que se maquiou; quando estava perto
o bastante inspirei o perfume amadeirado que ela havia passado.
__ Boa
noite, Ma-mauro!
Ela
gaguejou! Isso é bom?
__ Boa noite,
Marisa. É... Tudo bem?
__ Sim.
Mauro, sem querer prolongar muito essa conversa fiada, preciso saber se é
verdade tudo que diz na carta ou é alguma brincadeira de mau gosto?
COMO ASSIM?
Nunca pensei que ela fosse ser TÃO direta. Ensaiei um discurso e foi tudo por
água abaixo. Droga!
__ Verdade.
Marisa, não estou brincando com você. Quero que acredite em tudo que disse. Já
fiz muitas cartas, mas nenhuma me trouxe tanto nervosismo ou receio. Você
aceita jantar comigo? Pode escolher o lugar. Prometo que vou me comportar.
Ela riu e
arrumou uma mecha de cabelo atrás da orelha.
__ Pode ser
hoje? Saio mais cedo e podemos ir ao Docce. É um restaurante que tem mais
guloseimas do que pratos requintados. Gosto de tudo por lá. Quinze minutos
daqui. – Ela diz com uma empolgação contida.
__ Parece
ótimo. Espero-lhe aqui.
__ Mais uma
hora e podemos ir.
Foi a hora
mais longa da minha vida. Com permissão para exagero e todo o resto. Marisa apareceu
vestida numa calça jeans justa, blusa branca e casaco leve e rosa bebê. Cabelo
solto. Espetacular!
__ Podemos
ir? – Pergunta sorridente.
Levantei e
disse:
__ Primeiro
as damas!
Ela relaxou
e caminhou em direção à saída. Abri a porta do carro para ela; pareceu-me
surpresa e não entendi por que. Minha mãe ensinou-me que homens precisam tratar
as mulheres como se fossem flores; ela dizia isso enquanto organizava seu
jardim. Cresci ouvindo isso e sempre meus amigos brincavam com esse meu jeito.
Tanto faz; minha mãe era sábia e estava certa.
Fizemos o percurso
em silêncio, embalados pelas músicas tocadas na rádio. Estacionei e percebi que
o restaurante é bem diferente de todos os outros. Pequenas luzes cobriam o
estacionamento; parecia o céu. Postes pretos e de alumínio, daqueles que vemos
somente nos filmes. O lugar parecia um jardim: rodeado por flores, árvores de
pequeno porte, porta e chão de madeira; parecia ser uma antiga casa. Mesas com
pequenos vasos, guardanapos bem arrumados e cadeiras de alumínio com assento
almofadado. Devo admitir: lugar muito bonito. Bom gosto a Marisa têm.
Conversamos durante duas horas. Percebi que ela não é nada durona, corajosa,
mas uma mulher delicada, sonhadora e dona de um sorriso arrebatador. Saiu de
casa aos vinte anos e quer estudar Nutrição. Sonha em cuidar de crianças na
África. Altruísta em cada pedaço de si. Quer ter um cachorro chamado Flocos,
porque ela adora esse sabor de sorvete. É engraçada, se expressa tão bem e
sorri sempre que pode.
Ela sugeriu
que eu pedi-se a lasanha da casa. E teve razão ao dizer que é um “orgasmo
gastronômico” e para acompanhar tomamos vinho Rosé. Ela fez algumas perguntas,
mas estava tão encantado que resolvi escutá-la.
__ Você
gosta de ir ao cinema? – Perguntou-me curiosa.
__ Com
certeza. Gosto de drama, ficção, ação, suspense. Na verdade, gosto de uma boa
história. Vamos ao cinema?
Fiquei
surpreso com minha “audácia”.
__ Claro!
Seria um prazer. Mas não quero chorar, então vamos assistir uma boa e velha
comédia. Pode ser?
__ O que a
senhorita desejar.
__ Você é
sempre tão galante?
__ Somente
com mulher bonita, inteligente e que atende mesas no bar da esquina.
Vi que a
deixei corada e percebi que ela gostou do que disse, mas manteve-se controlada,
como uma dama. Terminamos. Levei-a em casa e a vi passar pelo portão do
conjunto de prédios. Sorri o restante da noite e a vi novamente em meus sonhos.
Valyne Oliveira
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Tenho medo.
Medo de que me torne uma mera estranha, mais uma na sua infinita lista de
contatos. Não posso ser mais um número no teu telefone ou mais uma no e-mail.
Quero ser tudo para você; preciso que você veja que sou tua de corpo e alma, da
cabeça aos pés. Faria por você o que nenhuma mulher pode fazer. Precisas de mim
tanto quanto preciso de ti. Pode negar e bater o pé, mas sei que o nome do que
guarda no peito é orgulho. Tenho consciência de que está assustado, afinal
nunca fui do gênero que deixa claro o que sente (talvez esse tenha sido meu
erro), mas preciso você de volta na minha vida. Volta para meu abraço, meu
sorriso tem saudade do teu, a cama está fria, os travesseiros já não ocupam seu
lugar. Pensa com carinho em tudo que já vivemos e temos para viver. Não imagine
que meu silêncio significa ausência de sentimento, pelo contrário tenho receio
por ser dona de um amor tão forte que chega a transbordar em mim. Só volta e
fica.
Valyne Oliveira
quarta-feira, 27 de março de 2013
Em uma conversa você já conseguiu me conquistar. Os dias foram se passando e eu me via completamente sua. Não conseguia sair dessa armadilha do amor, eu já estava totalmente envolvida. A cada palavra tua, eu tinha certeza que eu necessitava falar contigo todos os dias, pois suas palavras preenchiam o vazio que estava dentro de mim. Tudo parecia um sonho, um sonho tão bom que eu não queria nem imaginar se eu acordasse. Estávamos tão bem, estávamos felizes e tudo parecia estar dando certo... Quando de repente você que me fazia tão feliz, você que me deixava segura, me fez acordar do sonho. Você se foi e levou consigo tudo que eu acreditava e deixou apenas a decepção.
Caroline Carvalho
Caroline Carvalho
segunda-feira, 25 de março de 2013
Encontrei-te na esquina da vida. Parte 2. (2/2)
*Marisa*
Valyne Oliveira
Mauro: o
cara que fica me observando todo sábado, no mesmo horário e sentado no canto do
bar. Somente isso. Ele é muito bonito, charmoso de um jeito discreto e tímido.
Deve achar que não o percebo. Homens são tão bobos.
Uma carta e
uma mentira; ele fingiu ser outra pessoa, por quê? Não sei se é um bom começo,
mas confesso que ele é o primeiro homem que fez algo assim para mim. Nunca fui
tão elogiada, sorri ao ler cada palavra e mal o conheço. Não sei o quê pensar
ou como agir. No decorrer dos anos, aprendi a me proteger de tudo que indica decepções.
Sou mais uma mulher que possui duas ou mais topadas na estrada das relações.
Namorei três homens nos meus 23 anos de vida. Namoros longos e muitos
“romances” relâmpagos. Não era para ser, é bom pensar assim, evita uma boa
quantidade de rugas prematuras. Minha mãe sempre diz: “Mari, você nasceu mais
difícil do que minha relação com seu pai”. Bem típico dela comentários do
gênero desagradável.
A minha
poltrona está quente, o papel da carta está amassado de tanto lê-la, meu
computador toca as músicas de sempre. Já pensei em tudo que posso dizer a ele;
se aceito ou não o jantar, se acredito ou não nas palavras doces que me foram
entregues. É muito confuso um homem ser tão bom no meio de tantos que já
magoaram uma centena de mulheres que acreditam no amor assim como eu. Estranho,
diferente demais. O sábado vai chegar, vou encontrá-lo de novo (ou não), o
atenderei e depois? Finjo que nada aconteceu ou tomo alguma iniciativa? Volto a
repetir a mim mesma: “Estranho... Diferente demais”.
Valyne Oliveira
sexta-feira, 22 de março de 2013
Encontrei-te na esquina da vida. Parte 2. (1/2)
O grande dia
*Mauro*
O bar está
movimento como sempre. Mulheres à procura de namorados (e maridos, vai saber)
ou bebendo a bebida mais forte e homens à caça da melhor presa. Parece mais uma
selva com todos os animais vestidos do que um barzinho famoso da cidade grande.
Sentei-me à mesa do canto como usualmente, tomei um drinque e a Marisa
aproximou-se. Sei bem que ela atende este lado do bar.
Marisa
caminha lentamente entre as mesas sorri quando necessário e distribui “Oi” e
“Olá” para os mais assíduos. Uma mulher como essa qualquer homem pede em
casamento e quer ter a vida toda; ela faz o gênero que a cada década fica mais
linda. Os olhos dela me encaram como se pudessem dizer tudo sobre mim.
__ Boa
noite, Mauro! Você gosta daqui mesmo... – ela diz num tom de voz ensaiado.
__ Gosto. Um
ótimo lugar... – dei um sorriso amarelo.
Mal sabe que
ela é o motivo de tudo.
__ Quer
pedir algum petisco?
__ Quero te
dá algo... – falei mais para mim do que para ela ouvir.
__ Como? –
franzindo a sobrancelha.
__ Quero lhe
entregar uma carta. É... Um homem pediu que entregasse a você.
__ Que
homem? Ele está aqui? Tem certeza que é para mim? – vi que ela havia ficado com
as bochechas rosadas e perdeu a postura dona de si.
__ Ele já
foi Marisa. Fique tranquila. É um cara legal e não é louco.
Ela pareceu
achar graça e os ombros não estavam mais rijos.
__ Tudo bem.
Diga a ele que lerei com atenção e um pouco de medo.
Pela
primeira vez a vi sorrir genuinamente. Esta mulher dá vontade de tirar a roupa
e fazê-la a garota mais desejada da cidade.
__ Hm, tudo
bem. É só isso. Obrigado.
__ Qualquer
coisa, me chame.
O cabelo dela
estava preso no alto da cabeça, o avental amarrado perfeitamente com um laço e
um salto de doer qualquer coluna. A observei deixar o canto do bar e dirigir-se
à cozinha. Passei uma
hora ouvindo música boa e antiga. Dirigi cinco minutos. Entrei em casa,
caminhei até a cozinha, abri a geladeira e um turbilhão de coisas começou a
surgir na mente. O poder mágico da geladeira! Chega a ser cômico...
Primeiro
pensei na Marisa lendo a carta e encantada pelo o quê tem nela, dois segundos
depois a imaginei jogando fora e me chamando de louco/tarado/maníaco sexual. Sentei-me
no sofá, liguei a TV e vi as imagens passando de um lado para o outro. Tenho
uma pilha de textos para ler e analisar, mas pouco fará diferença se fizer isso
agora. Acordei no susto. Olhei para o relógio e são sete horas da manhã.
Primeiro pensamento? Ela leu a carta ou não? E agora? Volto ao bar e digo “Oi”?
CARAMBA! Como vou encará-la?
Valyne Oliveira
quarta-feira, 20 de março de 2013
quarta-feira, 13 de março de 2013
“Há quem acredite que o amor é um conjunto de palavras com o objetivo de demonstrar um sentimento que é praticamente indescritível. Devo concordar que amor é um conjunto, porém não de palavras e sim de atitudes para tentar fazer feliz quem nos faz feliz. Não adianta você querer viver um amor apenas com palavras, palavras são ditas quando não eram pra ser e às vezes usamos palavras para fazer promessas que não iremos cumprir. Então tenha atitude, pois atitudes provam o que palavras não conseguem e mostram que você é capaz de lutar pela pessoa amada.”
Caroline Carvalho
Caroline Carvalho
domingo, 10 de março de 2013
Encontrei-te na esquina da vida
O pianista do
bar já percebeu. Não paro de olhar para ela. Uma garçonete linda, dona de um
cabelo ruivo e olhos cor de mel, corpo bem desenhado, bumbum arredondado e
coxas grossas. Ela observa oEnn bar à procura de um copo vazio ou de uma mesa
bagunçada. Faz questão de sorrir e agradecer a cada cliente por ter vindo ao
local. Tem um jeito só dela de caminhar e carregar as bandejas lotadas de
restos. É segura de si, tem o nariz empinado e sempre olha nos olhos dos
clientes. Faz o gênero dona de si e que não leva desaforo para casa.
Apaixonante, deliciosa, dá água na boca só de pensar. Marisa é a mulher que
mexe com qualquer coração vagabundo. E eu, quem sou? Meu nome é Mauro, tenho 26
anos, solteiro e escritor. Gosto de café, moletom velho e mulher vestida apenas
com uma camisa masculina. Aí você já sabe aquela descrição tola que fazemos de
nós mesmos: tenho cabelo curto e bem cortado (creio eu), rosto comum, olhos
castanhos e corpo bem nutrido (que idiotice). Blá-blá-blá!
Venho ao
mesmo bar na esquina todos os sábados só para vê-la. Tomo umas doses de
coragem, ensaio meu discurso e a chamo para fazer meu “pedido”. Ela chega à
mesa com um sorriso ensaiado e tom de voz tranquilo na medida certa. Há oito
sábados faço isso e ela já decorou o meu nome, mas isso não faz diferença
alguma. Até agora:
__ Boa
noite, Mauro. Posso anotar seu pedido ou o mesmo de sempre?
__ Como? –
Pareço um tolo-infantil-idiota.
__ Pedido. O
de sempre. Você.
__ Ah! Sim,
sim. O de sempre, Ma-Marisa.
E só. Apenas
quatro frases. Grande diálogo! Resolvi escrever uma carta para ela. É bem mais fácil para mim.
*Duas horas
depois*
A luz da
minha escrivaninha precisa ser trocada. Teimo em usar cada lâmpada até que
queime. O papel continua em branco e continuo a tamborilar a mesa numa falta de
ritmo incrível. Não sei se começo com o
clichê: “Querida Marisa” ou se escrevo a carta desesperadamente... Vou começar
pelo começo (típico pensamento de gente besta).
Marisa,
Passei uma hora olhando para o papel e não
sabia como escrever esta carta. Meu nome é Mauro, mas você já sabe disso. Tenho
26 anos e trabalho numa editora. Você deve estar assustada por receber uma
carta de um desconhecido, porém acredito que terei mais sucesso se não falar
diretamente com você, pelo menos agora. Vou ao bar todos os sábados não só pela
música, bebidas ou gente bonita; o motivo é você. Não tenha medo, não sou louco
(risos), sou tímido. Agora você deve está se perguntando: O quê esse homem quer
dizer?
Acho você uma mulher especial como
poucas. Já vivi muitos relacionamentos, conheço muitas mulheres, mas nenhuma
delas é tão maravilhosa quanto você. Posso ver que és uma mulher forte, com o coração
generoso e dona de uma personalidade intrigante. Gosto de mulheres com um “quê”
a mais, mulheres que receberiam um prêmio pelo sorriso. Acredito que tens
muitas cicatrizes e feridas não fechadas n’alma, quero conhecer todas e ajudar
a curá-las, desejo te levar ao parque pelo prazer da tua companhia, andar de
mãos dadas, conversar, situações simples, entende?
A carta tem uma finalidade e é a
seguinte: Marisa, você aceita sair comigo? Quero levá-la para jantar, te fazer
sorrir e mostrar que não sou mais um cafajeste que apenas deseja ir para cama
com você. Deixa? Preciso provar do sabor dos teus lábios e ouvir o som da tua
gargalhada quando eu disse algo tolo.
Espero que não me leve a mal. Você é encantadora
e escritores tem uma queda por mulheres assim.
Com carinho e atenção,
Teu admirador quase secreto.
*Fim*
Próximo
sábado é o grande dia; preciso fazer a barba e parecer menos doentio. Um homem
fica nervoso por conta de uma mulher ou isso é raro? Grande Mauro, dando uma de
Romeu apaixonado e bobo. Você percebe que as coisas estão fora do controle
quando começa a falar sozinho... Respira Mauro. Respira!
Valyne
Oliveira
sábado, 2 de março de 2013
Por quê continuamos a nos desesperar quando perdemos algo? Por quê simplesmente não deixamos ir e aprendemos a viver sem tê-lo (a)? Gostamos de sofrer, gostamos de querer aquilo que não nos pertence mais. E então quebramos a cara mais uma vez, para não perder o costume e para sabermos que querer não é poder.
Poucos minutos
Esse é o tempo disponível
para quem quer ficar muito tempo
Quer falar muitas coisas, quer beijar,
acariciar e o tempo não deixa;
A vontade presente dentro de nós,
a paixão, os desejos e tantos sentimentos.
Queremos trocas infinitas em poucos minutos
de muita preciosidade.
Vilani Oliveira (mãe)
Esse é o tempo disponível
para quem quer ficar muito tempo
Quer falar muitas coisas, quer beijar,
acariciar e o tempo não deixa;
A vontade presente dentro de nós,
a paixão, os desejos e tantos sentimentos.
Queremos trocas infinitas em poucos minutos
de muita preciosidade.
Vilani Oliveira (mãe)
Seu Nome
Gosto tanto do teu nome
dos teus olhos...como gosto!
Pena que é proibido:
de escrever,
de falar...
Pensar, eu posso.
Deslumbre, radiante no meu
modo de gostar.
Isso eu posso.
Vilani Oliveira (mãe linda)
Gosto tanto do teu nome
dos teus olhos...como gosto!
Pena que é proibido:
de escrever,
de falar...
Pensar, eu posso.
Deslumbre, radiante no meu
modo de gostar.
Isso eu posso.
Vilani Oliveira (mãe linda)
Sem referências
Indique-me as coordenadas
onde eu possa encontrar-te.
Cite os pontos de referência para
que eu possa orientar-me.
Trace o mapa que indique
com precisão a distância entre
dois pontos distintos: o meu coração e o teu.
Vilani Oliveira (mãe)
Indique-me as coordenadas
onde eu possa encontrar-te.
Cite os pontos de referência para
que eu possa orientar-me.
Trace o mapa que indique
com precisão a distância entre
dois pontos distintos: o meu coração e o teu.
Vilani Oliveira (mãe)
Quem não lê, morre um pouco todos os dias.
Valyne Oliveira
Valyne Oliveira
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
OBSERVAÇÃO: continuação do texto Diário de Laura, parte 8. Espero que gostem e curtam, é claro. ♥
A Jasmim nasceu num dia chuvoso, cinco de março de 1944, às 16h30min da tarde. Lembro-me daquele choro desesperado dela e da sua calma quando posta em meus braços. Pequena e toda cheia de dobrinhas. Tão linda, parecia um anjo. Chorei, sorri e quis protegê-la de tudo com a minha vida a partir daquele momento. Jasmim é tão esperta e alegre; é um pocinho de gargalhas.
Ela está dormindo no outro quarto; deve está sonhando com a boneca de pano que ela tanto ama. Passa o dia com minha mãe e à noite dorme ouvindo o piano. Compus uma música para ela.
Ontem o Eduardo a viu. Estávamos caminhando em volta do lago artificial e ele jogava futebol com amigos de longa data. Ficou paralisado quando notou a semelhança dela comigo, nos encaramos e a Jas sorriu para ele; aquele sorriso com poucos dentes que os bebês têm. Eduardo parou no meio do campo e depois se permitiu caminhar ao nosso encontro. Não sabia como agir; se corria desesperada ou esperava sua aproximação. Quase fui rasgada ao meio por conta da tensão! Ela olhou para mim e entendi que estava confusa com a situação; não conhecia o homem que fazia meu coração disparar.
__ É tua filha, Laura? – Pergunta sem rodeios.
__ Minha. O nome dela é Jasmim... – Não sabia como falar com ele sem me entregar.
__ Jasmim? O nome que eu escolhi para nossa filha?! Quer dizer nossa possível filha? Por quê? – Ele parecia em estado de choque.
__ Nós temos que ir. Estamos atrasadas... É... Te-temos que ir!
__ Laura? – Dando um passo à frente, alcança meu braço e o segura firme.
__ Largue-me, por favor! – Pedi assustada.
__ Desculpe-me... Quem é o pai? E você não me disse nada? – Perguntou-me num triste tom.
__ Que atitude é essa, Eduardo? Quem você pensa que é para me fazer essas perguntas? Como pode achar que tem o direito de surgir do pó e agir como quiser?
O vi ficar assustado. Peguei a Jasmim no colo e andei o mais depressa que pude. Ouvi os amigos dele pedindo que ele ficasse e me deixasse ir. Quero esquecer esse dia, apagar da memória aquele andar, o desenho do rosto, a cor dos lábios. Preciso encarar uma vida sem ele, tenho que me permitir esquecê-lo.
LEMBRETE: Um dia de cada vez. Jasmim precisa de mim inteira e não aos pedaços.
Valyne Oliveira
A Jasmim nasceu num dia chuvoso, cinco de março de 1944, às 16h30min da tarde. Lembro-me daquele choro desesperado dela e da sua calma quando posta em meus braços. Pequena e toda cheia de dobrinhas. Tão linda, parecia um anjo. Chorei, sorri e quis protegê-la de tudo com a minha vida a partir daquele momento. Jasmim é tão esperta e alegre; é um pocinho de gargalhas.
Ela está dormindo no outro quarto; deve está sonhando com a boneca de pano que ela tanto ama. Passa o dia com minha mãe e à noite dorme ouvindo o piano. Compus uma música para ela.
Ontem o Eduardo a viu. Estávamos caminhando em volta do lago artificial e ele jogava futebol com amigos de longa data. Ficou paralisado quando notou a semelhança dela comigo, nos encaramos e a Jas sorriu para ele; aquele sorriso com poucos dentes que os bebês têm. Eduardo parou no meio do campo e depois se permitiu caminhar ao nosso encontro. Não sabia como agir; se corria desesperada ou esperava sua aproximação. Quase fui rasgada ao meio por conta da tensão! Ela olhou para mim e entendi que estava confusa com a situação; não conhecia o homem que fazia meu coração disparar.
__ É tua filha, Laura? – Pergunta sem rodeios.
__ Minha. O nome dela é Jasmim... – Não sabia como falar com ele sem me entregar.
__ Jasmim? O nome que eu escolhi para nossa filha?! Quer dizer nossa possível filha? Por quê? – Ele parecia em estado de choque.
__ Nós temos que ir. Estamos atrasadas... É... Te-temos que ir!
__ Laura? – Dando um passo à frente, alcança meu braço e o segura firme.
__ Largue-me, por favor! – Pedi assustada.
__ Desculpe-me... Quem é o pai? E você não me disse nada? – Perguntou-me num triste tom.
__ Que atitude é essa, Eduardo? Quem você pensa que é para me fazer essas perguntas? Como pode achar que tem o direito de surgir do pó e agir como quiser?
O vi ficar assustado. Peguei a Jasmim no colo e andei o mais depressa que pude. Ouvi os amigos dele pedindo que ele ficasse e me deixasse ir. Quero esquecer esse dia, apagar da memória aquele andar, o desenho do rosto, a cor dos lábios. Preciso encarar uma vida sem ele, tenho que me permitir esquecê-lo.
LEMBRETE: Um dia de cada vez. Jasmim precisa de mim inteira e não aos pedaços.
Valyne Oliveira
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Parte 8
Diário de
Laura. Cinco de março de 1945.
Hoje minha
princesa faz um ano. Jasmim é uma boneca: cabelos encaracolados, olhos
castanhos e vivos, boca pequenina e rosada, bochechas rosadas e salientes.
Minha filha, minha joia.
A princípio
fiquei desesperada e a primeira atitude que tive foi de correr ao encontro da
minha mãe. Dona Lola recebeu-me de braços abertos, mas não pôde conter o
espanto. Ficar grávida e ser solteira são o mesmo que usar um vestido acima do
joelho a luz do dia.
__ Como assim,
Laura? – Perguntou-me.
Era uma sexta-feira,
logo quando soube que estava grávida.
__ Sonhei
com o Eduardo... e... e... Não sei o quê dizer. Bebi uma garrafa de vinho,
aquele que a senhora me deu no último Natal. Liguei para o Enzo e pedi que ele
fosse me vê.
__ Enzo? O
seu namoradinho de infância, primeiro beijo e todo aquele drama que envolve
vocês?
__ É, mãe.
Obrigada por me lembrar. Ele cuidou de mim, conversou comigo... Ele sempre fez
isso. Não é novidade. Deixei me levar pelo momento e começamos a beber. Ficamos
animados demais e acabamos, hum, transando.
Fiquei
vermelha e minha mãe em silêncio. Entreolhamos-nos e não sabia mais explicar a
situação.
__ Ah,
Laurinha... O que foi que você fez?! Agora nos resta cuidar de você e deste
bebê. – Diz isso pondo a mão sobre minha barriga.
Comecei a
chora e soluçar. Dona Lola agarrou-se a mim com toda força que tinha me ninou
em seus braços e acariciou meu cabelo. Essa noite vai ficar gravada em mim,
nunca vi minha mãe tão fragilizada. Foram os noves meses mais longos da minha
vida. Todo mundo do hospital fez parte da aposta sobre o sexo do bebê. Ganhei
muitos presentes, muitos mimos. O Enzo queria casar comigo, mas é certo casar
com alguém que você não ama por inteiro? Alguém que já foi especial e não é
mais? Disse que o queria perto da Jasmim, ela quem precisa dele e merece todo
apoio. Ele foi um cavalheiro, aceitou e cuidou de nós duas. Somos amigos e isso
basta.
(continua)
Valyne Oliveira
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
A luz do meu
quarto é a única ainda acesa. É uma da madrugada e o silêncio da cidade se faz
presente. O vento bate nas janelas dos vizinhos e os cachorros latem para o
invisível. Continuo a encarar o teto do meu quarto; já virei o travesseiro
dezenas de vezes, só para ter aquela sensação fria e confortável.
O
tique-taque do relógio não me incomoda mais, os porta-retratos estão sem fotos
e meu criado-mudo cheira a café. Não consigo dormir a dois dias. Fico revivendo
cada momento que tive com você, apego-me a qualquer lembrança nossa. Desconheço
a mim mesma; já não me considero aquela garota do sorriso bonito e sem fim. É
bem triste perceber que as pessoas mentem tão bem que chega a parecer verdade.
Tuas
palavras confortavam meu coração, sentia-me querida e amada. Como pôde fingir
tão bem? Decepção é a única palavra que me remete a você. Não posso dizer que
tudo foi em vão, tivemos momentos engraçados, felizes até. Mas se for para tirar
uma lição disso tudo, aprendi esta: nunca aposte todas as suas cartas em
alguém; o ser humano é dono de muitas facetas, muitas das quais ele não tem
conhecimento.
Sei que vai
demorar a cicatrizar os machucados no meu coração, sei disso, mas o tempo vai
passar e vou preenchê-lo com sentimentos bons, pessoas novas e fé. Ainda vou
sorrir de mim por sofrer por alguém tão mesquinho... Ah vou!
Valyne Oliveira
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
domingo, 10 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Venha, meu anjo. Fique aqui e faça poesia comigo ou em mim. Você escolhe.
Valyne Oliveira
Valyne Oliveira
Tô cuidando do nosso amor. Bem quietinha, de um jeito discreto. Tô guardando-o para que ninguém estrague.
Valyne Oliveira
Valyne Oliveira
Moreno, você tem gostinho de quero mais. Quero bis de você, de nós.
Valyne Oliveira
Valyne Oliveira
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Ela é linda,
tão linda que seria fácil-fácil eleita a mulher mais sexy do mundo. A curva dos
seus lábios, a cor rosada e o formato delicado. A pele macia, seios pequenos,
pernas torneadas, pés de princesa. O cabelo é pretinho, cheio e macio. Toda pequena.
Acordei
primeiro, ainda está escuro lá fora e faz um pouco de frio... Puta merda! Como
eu tenho sorte de tê-la. O relógio informa que são 05h30min da manhã, tão cedo,
mas a cidade já está de pé. Chaminés fumegando, carros a trafegar, cães
latindo, gatos revirando lixeiras. O charmoso hotel Le Doux Paris também parece
ter acordado há, pelo menos, uma hora. A torre Eiffel parece ganhar vida ao
nascer do sol. Minha menina mexe-se na cama à procura de mim.
__ Estou
aqui, linda.
__ Ah! Bom
dia, amor. Que horas são? – Pergunta um tanto sonolenta.
__ Seis da
manhã.
__ Vamos
dormir mais um pouquinho?
__
Preguiçosa, daqui a pouco tem o café da manhã. Vamos tomar um banho quentinho e
nos arrumarmos.
O dia passou
tão rápido e conforme meus planos o clima esquentou com a mesma rapidez. O mês
de julho está muito imprevisível este ano, mas com uma ajudinha lá de cima minha
surpresa será uma delícia.
__ Vista
algo leve; de preferência um vestido. Quero você o mais confortável possível.
__ Qual o
motivo para tantas ordens?
__ Hmm,
surpresa.
__ Poxa!
Você sabe que fico ansiosa, Rodrigo...
Ela faz um
biquinho tão gostoso que tenho vontade de rasgar aquele vestido na mesma hora.
__ Vou ter
que vendar você assim que chegarmos ao elevador.
__ Tenho
outra opção? – Pergunta toda atrevida, como de costume.
__ Você sabe
que não.
Falei há
dois dias com Senhora Heloísa, dona do hotel, uma mulher simpática, sorriso
fácil, corpo pequeno, olhos sinceros e palavras sábias. Disse que seria um prazer
permitir que eu fizesse uma surpresa a Bela. São 19h00min. Percebo que Bela
está nervosa. Caminhamos em silêncio até o elevador. Ele começa a subir e ela
pergunta:
__ Para
aonde estamos indo?
__ Chegamos.
E o elevador
para num solavanco quando chegamos ao terraço do charmoso hotel. As portas
abrem e tiro a venda dela.
__ Meu Deus!
– E os olhos dela enchem-se de lágrimas.
Os
funcionários do hotel capricharam. Uma mesa pequena de metal e tampão de vidro,
velas num castiçal, cadeiras de madeira e acento acolchoado. Uma música
instrumental preenche a noite de uma forma espetacular. Vinho, saladas e carne
grelhada fazem parte do cardápio.
__ Surpresa!
Gostou meu amor?
__ Adorei. É
tudo tão lindo. Maravilhoso! Muito obrigada, meu anjo.
Sentamos-nos,
comemos tudo e a conversa fazia sentido até o momento que o vinho começou a
falar por nós.
__ Não mais
do que você...
A torre nos
faz companhia. Está iluminada com milhares de lâmpadas e brilha mais do que a
cidade inteira. A noite esquentou e minha imaginação está pegando fogo. Percebo
que D. Heloísa nos deu uma ajudinha: num canto mais escuro um colchão de ar,
coberto por um lençol escuro, nos covida para experimentá-lo.
__ Senta
amor!
__ Hmm,
quanto autoritarismo... – Seu tom de voz indica que ela ficou excitada.
__ Você tem
algum apego a este vestido? – Avanço para mais perto, assim posso sussurrar em
seu ouvido.
Não espero
ela responder e rasgo seu vestido. Percebo que ficou assustada, mas me disse
nada.
__ Quero
fazer amor com você, Isabela. Agora! Quero você nua e toda suada.
Ela balança
a cabeça num gesto positivo e tiro seu sutiã. Ouço seu arquejo e vejo que está
ruborizada. Sinto os dedos dela desabotoarem minha camisa de algodão e chegar a
minha calça.
__ Ainda
não.
Vejo sua
decepção, mas agora só quero vê-la nua. Beijo seu rosto enquanto minhas mãos
percorrem seus seios, os mamilos estão túrgidos. Quero prová-la, tocá-la,
deixá-la satisfeita. Tocamos-nos como nunca fizemos. Com urgência; desespero
até. Ela morde minha orelha, toco suas coxas, faço carinho em cada centímetro
do seu corpo. Sinto que está do jeito que desejei e tiro minha calça. Fazemos
amor como nunca havíamos feito. Sem preocupação, sem pressa e ao mesmo tempo
como se o mundo fosse acabar. Entreolhamos-nos e nada precisa ser dito.
Palavras não são necessárias e muito menos importantes agora. Adormecemos e o
nascer do sol foi nosso despertador. O dia nem precisa começar. Quero voltar
para a parte onde ela é somente minha. Pode ser agora? Quanto egoísmo,
Rodrigo... Quanto egoísmo!
Valyne Oliveira
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meu meu e meu
Autora: Natália Nina
Para o
meu amor, Pedro.
“Passando pelo quarto da minha
mãe, ouvi de um filme: Tudo mudou, mas ainda é igual”. Não lembro o nome do
filme e nem mesmo qual canal era. Pode até parecer que essa construção não
tenha o mínimo sentido, mas, não é assim que acontece com alguns
relacionamentos? Não é isso que está acontecendo comigo?
Há algumas semanas estávamos no
seu quarto, deitados bem juntinhos. Eu estava quase dormindo, já estava até de
olhos fechados,quando você me chamou,fitou meus olhos e disse:
-Será que daqui a 10 anos você
estará aqui do meu lado usando a minha camisa rosa que você tanto amo, Clara?
-Claro que estarei seu bobo!Você
me acordou só pra isso mesmo?-falei em um tom irônico.
-Não, te “acordei” porque quero
fazer planos contigo!
-Precisa ser agora, Pedro?
-Aham, lembra quando éramos mais novos
e antes de dormir, ficávamos planejando as nossas vidas?
-Claro que lembro meu amor.
-Você acha que poderíamos fazer
isso agora, luz da minha vida?
-Já que você espantou Morfeu, acho
que devemos né?!
-Own princesa! E por onde
começaremos?
-Que tal pelos nomes dos nossos
filhos e quantos iremos ter?
-Pode ser, quero ter cinco
filhos!
-Cinco?- meus olhos saltaram- Não
é um número muito alto? Que tal três?
-Vou pensar no seu caso- você
sorriu com seu jeitinho discreto-E quais seriam os nomes? Gosto de Luca,
Murilo, Gabriel. E Otávio também.
-E posso saber o porquê de não
haver nomes femininos na sua lista? Por que, meu cravo?
-Meninas são muito difíceis de
criar,quando maiores,piora ainda mais.
-Larga de ser bobo!Vamos ter uma
princesa sim, se Deus assim permitir. Gosto de Laura, Catarina, Miguel, Luiz (...).
Falamos ainda do nosso lar como
irá ser, as cores da parede, que não íamos cair na rotina. Falamos também como
eu não suporto que deixem a toalha molhada sobre a cama, de como gosto de
cavalos e quando me dei conta, os meus planos já não eram meus, mas nossos planos.
Era como um quebra cabeça, com você do meu lado, tudo se encaixava. Naquele 2
de Julho,naquela noite,só queria teu corpo junto ao meu,sentir o teu
cheiro,sentir tuas mãos quentes me fazendo cafuné.Só queria você comigo,apenas
isso.
Sete semanas se passaram dessa
data linda e cinco semanas, também se passaram, desde quando rompemos. Posso
ter você de volta algum dia? Diz-me meu cravo!
Ainda quero tudo o que eu queria naquele
dois de Julho. Vem fazer planos comigo de novo?Prometo que não irei ficar mal
humorada quando você me chamar à noite para fazermos planos. Eu, Clara, estou
prometendo, meu amor.
Sabe aquela frase do filme “tudo
mudou, mas ainda está igual”? Nosso relacionamento mudou, minha vida mudou ao
extremo sem você comigo. Mas, meu grande amor por você, pelo seu sorriso, pelo
seu abraço, pelo teu beijo, pelos nossos planos, por você inteiro, permaneceu e
permanece. Fica mais vivo a cada manhã. Estou com saudade de você, de quando
você soprava no meu ouvido para que viesse uma série de arrepios depois, de
quando tentávamos cozinhar algo junto e você me sujava toda. Volta pra mim!
Deixa os defeitos e desavenças para as horas de tédio, onde nós brigaríamos por
nada, nos desculparíamos e tudo acabaria em um romance no final da tarde, com
direito a um pote de sorvete de creme crocante que nós amamos tanto.
Volta
pra mim, Pedro? Volta pra nós, meu amor.
Com
muito amor e saudades, a sua eterna Clara Tavares.
P.S: Eu te amo muito!Volta logo.
domingo, 27 de janeiro de 2013
Lição do dia: existem pessoas que não passam de propaganda enganosa.
Valyne Oliveira
Valyne Oliveira
Aí, você começa a amar mais do que consegue administrar.
Valyne Oliveira
Valyne Oliveira
Quero brincar com teu cabelo, tuas bochechas,
nos teus lábios molhados.
Quero brincar com teu corpo, no teu corpo.
Quero brincar com você.
Valyne Oliveira
nos teus lábios molhados.
Quero brincar com teu corpo, no teu corpo.
Quero brincar com você.
Valyne Oliveira
Diga assim:"Desculpa, fulano. Mas não quero ser teu refúgio somente quando a tempestade estiver te castigando, quero ser teu abrigo nos dias de sol também."
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
A cicatriz no meu rosto já está da cor da pele; só sobrou uma linha estreita e com poucos centímetros, meu amor... Antes de tudo, preciso agradecer ti pelas tulipas; são lindas e estão fazendo companhia para minha nova leitura. Não tinha um vaso, mas elas ficaram muito charmosas na jarra lilás da mamãe. Não estou conseguindo administrar a saudade; ela tem estado muito persistente. Faz duas semanas que não o vejo... Ainda vai demorar muito? Volta logo, por favor. Deixa de maldade.
Hoje faz três anos que você me salvou, lembra? Mesmo sabendo que vai me ligar mais tarde, quero que guarde esta carta; talvez nunca consiga falar o quê estou escrevendo. Nunca vou esquecer-me daquela noite: dois homens numa rua deserta e eu. Estava tão frio – ainda me lembro. A garoa começava a tocar o telhado das grandes casas. Recordo a voz embriagada de ambos, as mãos sujas sobre meu corpo, o som da minha roupa sendo rasgada, a barba mal feita de um deles roçando contra minha pele. Lembro-me de perder a noção de tempo e espaço, comecei a gritar e um deles ficou tão embravecido que cortou minha bochecha com um caco de garrafa, acho. Perdi minha identidade esse dia.
Jamais esquecerei a tua chegada. Lembro-me de estar no banco de trás do teu carro, enquanto você pedia a seu amigo para ligar para a polícia. Foram dias longos, tantas perguntas e eu só queria saber de ti. Sabe o que mais gosto de lembrar? Teu rosto terno a me observar de pertinho na cama do hospital, tua voz embargada, teus cílios molhados pelas lágrimas de revolta. Pode ter certeza que teu doce gesto marcou minha vida. Nunca te disse nada disso, não é? Espero que não se assuste! (risos)
Sabe o quê quero de presente? Que seja criada uma lei e ela precisa ser assim: “Ame a Lola com todo coração, seja sincero, guarde-a com carinho nos teus pensamentos, seja sempre fiel e jamais a deixe. Seja amigo, amante, namorado e futuro marido”. É perfeita, eu sei... Saudade, muita saudade, meu anjo.
Com carinho e muita gratidão,
“a Lola do Emanuel”.
Hoje faz três anos que você me salvou, lembra? Mesmo sabendo que vai me ligar mais tarde, quero que guarde esta carta; talvez nunca consiga falar o quê estou escrevendo. Nunca vou esquecer-me daquela noite: dois homens numa rua deserta e eu. Estava tão frio – ainda me lembro. A garoa começava a tocar o telhado das grandes casas. Recordo a voz embriagada de ambos, as mãos sujas sobre meu corpo, o som da minha roupa sendo rasgada, a barba mal feita de um deles roçando contra minha pele. Lembro-me de perder a noção de tempo e espaço, comecei a gritar e um deles ficou tão embravecido que cortou minha bochecha com um caco de garrafa, acho. Perdi minha identidade esse dia.
Jamais esquecerei a tua chegada. Lembro-me de estar no banco de trás do teu carro, enquanto você pedia a seu amigo para ligar para a polícia. Foram dias longos, tantas perguntas e eu só queria saber de ti. Sabe o que mais gosto de lembrar? Teu rosto terno a me observar de pertinho na cama do hospital, tua voz embargada, teus cílios molhados pelas lágrimas de revolta. Pode ter certeza que teu doce gesto marcou minha vida. Nunca te disse nada disso, não é? Espero que não se assuste! (risos)
Sabe o quê quero de presente? Que seja criada uma lei e ela precisa ser assim: “Ame a Lola com todo coração, seja sincero, guarde-a com carinho nos teus pensamentos, seja sempre fiel e jamais a deixe. Seja amigo, amante, namorado e futuro marido”. É perfeita, eu sei... Saudade, muita saudade, meu anjo.
Com carinho e muita gratidão,
“a Lola do Emanuel”.
sábado, 12 de janeiro de 2013
- Parte 7 -
Diário de Laura, dia 610. Dezoito de janeiro de 1943.
Ontem à noite mal dormi. Depois de anos você apareceu no meu sonho e dessa vez não tive vontade chorar. Veja que maravilha!Você me fez bem depois de dias. Quanta ironia... Pela primeira vez sonhei com nossa primeira relação amorosa. Dois bobões, sem saber o quê fazer e como fazer.
Era uma noite de sábado, estava fazendo um pouco de frio desde cedo e havíamos passado a tarde passeando pelo parque. Tomamos sorvete e, como sempre, sujei-me. ”Laura, você precisa se sujar toda vez?” Lembro-me de você brincando com minha falta de jeito. Três de abril de 1936. Esse dia ficou gravado na minha pele. Ele me convidou para irmos até a casa dele; precisa me limpar. Os pais dele estavam num chá da tarde; não nos contínhamos de tanta emoção. Estávamos a sós! Sabe o quanto isso era difícil?
Fui ao banheiro, passei água na bainha do vestido e a mancha teimava em permanecer intacta. Eduardo entrou no banheiro e encontrou-me toda bagunçada, reclamando da vida. Lembro-me do teu sorriso, do jeito como abriu os botões do meu vestido. Tudo bem devagarzinho, tomando cuidado para que eu não me assustasse. Não dissemos nada um ao outro, a confirmação estava evidente em nossos olhares cúmplices. Fiquei corada e percebi que estava se divertindo, como sempre, com a situação. Nossa respiração obedecia a um ritmo apressado. Recordo-me de ter ficado tímida; era a primeira vez que um homem me olhava somente com peças íntimas.
Caminhamos até seu quarto. Mãos dadas, olhos curiosos, passos leves, mas apreensivos. Sentei-me na sua cama – pela primeira vez. Você fechou a porta, trancou as janelas e deixou apenas o abaju ligado. Sentaste junto a mim; vi que estava nervoso e empolgado. Tomei a iniciativa de beijá-lo; vi que se espantou, mas continuou a fazê-lo desesperadamente. Tocamos-nos como de costume, porém senti que precisávamos de mais. Ainda lembro-me da tua mão traçando caminhos por minhas coxas enquanto eu desabotoava tua camisa de algodão e logo depois você fica sem roupas de baixo. Teu corpo estava quente e surgiam gotas de suor em teu pescoço. O quarto ficava abafado, mas continuava agradável. Deitei-me e você ficou por cima de mim; nossos corpos tocavam-se e gemidos preenchiam o silêncio do quarto. Você me deixou relaxada; não parecia tua primeira relação. Queria tanto, quase implorei.
Aconteceu. Foi tão bom e tão estranho. Tão diferente e tão conhecido. Instintivo é a palavra que melhor define. Tua expressão de satisfação, descobrimento misturavam-se às minhas reações de espanto. Podia ouvir o bater do meu coração nos ouvidos. Passamos cerca de dez minutos experimentando a nova descoberta, mas fiquei com receio de algo desse errado e tua compreensão entrou em cena. Carinhoso, cuidadoso. Cobriu-me sem pressa e com todo zelo. Deitados. Sem precisar dizer nada. Lembro que tua boca balbuciou um “Eu te amo, minha linda”.
Sabe o quê ficou de tudo isso, Eduardo? Lembranças. Agarro-me a elas como se dependesse disso para viver. É só uma tentativa bizarra de vê-lo como aquele homem por quem me apaixonei.
Já chega... Espero que esteja bem e feliz agora. Durma tranquilamente; faça isso por mim.
Valyne Oliveira
Diário de Laura, dia 610. Dezoito de janeiro de 1943.
Ontem à noite mal dormi. Depois de anos você apareceu no meu sonho e dessa vez não tive vontade chorar. Veja que maravilha!Você me fez bem depois de dias. Quanta ironia... Pela primeira vez sonhei com nossa primeira relação amorosa. Dois bobões, sem saber o quê fazer e como fazer.
Era uma noite de sábado, estava fazendo um pouco de frio desde cedo e havíamos passado a tarde passeando pelo parque. Tomamos sorvete e, como sempre, sujei-me. ”Laura, você precisa se sujar toda vez?” Lembro-me de você brincando com minha falta de jeito. Três de abril de 1936. Esse dia ficou gravado na minha pele. Ele me convidou para irmos até a casa dele; precisa me limpar. Os pais dele estavam num chá da tarde; não nos contínhamos de tanta emoção. Estávamos a sós! Sabe o quanto isso era difícil?
Fui ao banheiro, passei água na bainha do vestido e a mancha teimava em permanecer intacta. Eduardo entrou no banheiro e encontrou-me toda bagunçada, reclamando da vida. Lembro-me do teu sorriso, do jeito como abriu os botões do meu vestido. Tudo bem devagarzinho, tomando cuidado para que eu não me assustasse. Não dissemos nada um ao outro, a confirmação estava evidente em nossos olhares cúmplices. Fiquei corada e percebi que estava se divertindo, como sempre, com a situação. Nossa respiração obedecia a um ritmo apressado. Recordo-me de ter ficado tímida; era a primeira vez que um homem me olhava somente com peças íntimas.
Caminhamos até seu quarto. Mãos dadas, olhos curiosos, passos leves, mas apreensivos. Sentei-me na sua cama – pela primeira vez. Você fechou a porta, trancou as janelas e deixou apenas o abaju ligado. Sentaste junto a mim; vi que estava nervoso e empolgado. Tomei a iniciativa de beijá-lo; vi que se espantou, mas continuou a fazê-lo desesperadamente. Tocamos-nos como de costume, porém senti que precisávamos de mais. Ainda lembro-me da tua mão traçando caminhos por minhas coxas enquanto eu desabotoava tua camisa de algodão e logo depois você fica sem roupas de baixo. Teu corpo estava quente e surgiam gotas de suor em teu pescoço. O quarto ficava abafado, mas continuava agradável. Deitei-me e você ficou por cima de mim; nossos corpos tocavam-se e gemidos preenchiam o silêncio do quarto. Você me deixou relaxada; não parecia tua primeira relação. Queria tanto, quase implorei.
Aconteceu. Foi tão bom e tão estranho. Tão diferente e tão conhecido. Instintivo é a palavra que melhor define. Tua expressão de satisfação, descobrimento misturavam-se às minhas reações de espanto. Podia ouvir o bater do meu coração nos ouvidos. Passamos cerca de dez minutos experimentando a nova descoberta, mas fiquei com receio de algo desse errado e tua compreensão entrou em cena. Carinhoso, cuidadoso. Cobriu-me sem pressa e com todo zelo. Deitados. Sem precisar dizer nada. Lembro que tua boca balbuciou um “Eu te amo, minha linda”.
Sabe o quê ficou de tudo isso, Eduardo? Lembranças. Agarro-me a elas como se dependesse disso para viver. É só uma tentativa bizarra de vê-lo como aquele homem por quem me apaixonei.
Já chega... Espero que esteja bem e feliz agora. Durma tranquilamente; faça isso por mim.
Valyne Oliveira
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