quarta-feira, 27 de março de 2013

Em uma conversa você já conseguiu me conquistar. Os dias foram se passando e eu me via completamente sua. Não conseguia sair dessa armadilha do amor, eu já estava totalmente envolvida. A cada palavra tua, eu tinha certeza que eu necessitava falar contigo todos os dias, pois suas palavras preenchiam o vazio que estava dentro de mim. Tudo parecia um sonho, um sonho tão bom que eu não queria nem imaginar se eu acordasse. Estávamos tão bem, estávamos felizes e tudo parecia estar dando certo... Quando de repente você que me fazia tão feliz, você que me deixava segura, me fez acordar do sonho. Você se foi e levou consigo tudo que eu acreditava e deixou apenas a decepção.

Caroline Carvalho

segunda-feira, 25 de março de 2013







Encontrei-te na esquina da vida. Parte 2. (2/2)

*Marisa*


Mauro: o cara que fica me observando todo sábado, no mesmo horário e sentado no canto do bar. Somente isso. Ele é muito bonito, charmoso de um jeito discreto e tímido. Deve achar que não o percebo. Homens são tão bobos.
Uma carta e uma mentira; ele fingiu ser outra pessoa, por quê? Não sei se é um bom começo, mas confesso que ele é o primeiro homem que fez algo assim para mim. Nunca fui tão elogiada, sorri ao ler cada palavra e mal o conheço. Não sei o quê pensar ou como agir. No decorrer dos anos, aprendi a me proteger de tudo que indica decepções. Sou mais uma mulher que possui duas ou mais topadas na estrada das relações. Namorei três homens nos meus 23 anos de vida. Namoros longos e muitos “romances” relâmpagos. Não era para ser, é bom pensar assim, evita uma boa quantidade de rugas prematuras. Minha mãe sempre diz: “Mari, você nasceu mais difícil do que minha relação com seu pai”. Bem típico dela comentários do gênero desagradável.
A minha poltrona está quente, o papel da carta está amassado de tanto lê-la, meu computador toca as músicas de sempre. Já pensei em tudo que posso dizer a ele; se aceito ou não o jantar, se acredito ou não nas palavras doces que me foram entregues. É muito confuso um homem ser tão bom no meio de tantos que já magoaram uma centena de mulheres que acreditam no amor assim como eu. Estranho, diferente demais. O sábado vai chegar, vou encontrá-lo de novo (ou não), o atenderei e depois? Finjo que nada aconteceu ou tomo alguma iniciativa? Volto a repetir a mim mesma: “Estranho... Diferente demais”.

Valyne Oliveira

sexta-feira, 22 de março de 2013

Encontrei-te na esquina da vida. Parte 2. (1/2)

O grande dia
*Mauro*

O bar está movimento como sempre. Mulheres à procura de namorados (e maridos, vai saber) ou bebendo a bebida mais forte e homens à caça da melhor presa. Parece mais uma selva com todos os animais vestidos do que um barzinho famoso da cidade grande. Sentei-me à mesa do canto como usualmente, tomei um drinque e a Marisa aproximou-se. Sei bem que ela atende este lado do bar.
Marisa caminha lentamente entre as mesas sorri quando necessário e distribui “Oi” e “Olá” para os mais assíduos. Uma mulher como essa qualquer homem pede em casamento e quer ter a vida toda; ela faz o gênero que a cada década fica mais linda. Os olhos dela me encaram como se pudessem dizer tudo sobre mim.

__ Boa noite, Mauro! Você gosta daqui mesmo... – ela diz num tom de voz ensaiado.
__ Gosto. Um ótimo lugar... – dei um sorriso amarelo.
Mal sabe que ela é o motivo de tudo.
__ Quer pedir algum petisco?
__ Quero te dá algo... – falei mais para mim do que para ela ouvir.
__ Como? – franzindo a sobrancelha.
__ Quero lhe entregar uma carta. É... Um homem pediu que entregasse a você.
__ Que homem? Ele está aqui? Tem certeza que é para mim? – vi que ela havia ficado com as bochechas rosadas e perdeu a postura dona de si.
__ Ele já foi Marisa. Fique tranquila. É um cara legal e não é louco.
Ela pareceu achar graça e os ombros não estavam mais rijos.
__ Tudo bem. Diga a ele que lerei com atenção e um pouco de medo.
Pela primeira vez a vi sorrir genuinamente. Esta mulher dá vontade de tirar a roupa e fazê-la a garota mais desejada da cidade.
__ Hm, tudo bem. É só isso. Obrigado.
__ Qualquer coisa, me chame.

O cabelo dela estava preso no alto da cabeça, o avental amarrado perfeitamente com um laço e um salto de doer qualquer coluna. A observei deixar o canto do bar e dirigir-se à cozinha. Passei uma hora ouvindo música boa e antiga. Dirigi cinco minutos. Entrei em casa, caminhei até a cozinha, abri a geladeira e um turbilhão de coisas começou a surgir na mente. O poder mágico da geladeira! Chega a ser cômico...
Primeiro pensei na Marisa lendo a carta e encantada pelo o quê tem nela, dois segundos depois a imaginei jogando fora e me chamando de louco/tarado/maníaco sexual. Sentei-me no sofá, liguei a TV e vi as imagens passando de um lado para o outro. Tenho uma pilha de textos para ler e analisar, mas pouco fará diferença se fizer isso agora. Acordei no susto. Olhei para o relógio e são sete horas da manhã. Primeiro pensamento? Ela leu a carta ou não? E agora? Volto ao bar e digo “Oi”? CARAMBA! Como vou encará-la?


Valyne Oliveira

quarta-feira, 20 de março de 2013

Colocar no papel o que não cabe n'alma. Derramar nas linhas o que transborda por dentro. Gravar num guardanapo, num muro abandonado, numa mesa de bar, tudo aquilo que é muito espaçoso para ficar escondido. Isso é ser escritor, isso é ser apaixonado pelas palavras. Essa sou eu!

Valyne Oliveira

quarta-feira, 13 de março de 2013

“Há quem acredite que o amor é um conjunto de palavras com o objetivo de demonstrar um sentimento que é praticamente indescritível. Devo concordar que amor é um conjunto, porém não de palavras e sim de atitudes para tentar fazer feliz quem nos faz feliz. Não adianta você querer viver um amor apenas com palavras, palavras são ditas quando não eram pra ser e às vezes usamos palavras para fazer promessas que não iremos cumprir. Então tenha atitude, pois atitudes provam o que palavras não conseguem e mostram que você é capaz de lutar pela pessoa amada.”


Caroline Carvalho

domingo, 10 de março de 2013

Encontrei-te na esquina da vida


O pianista do bar já percebeu. Não paro de olhar para ela. Uma garçonete linda, dona de um cabelo ruivo e olhos cor de mel, corpo bem desenhado, bumbum arredondado e coxas grossas. Ela observa oEnn bar à procura de um copo vazio ou de uma mesa bagunçada. Faz questão de sorrir e agradecer a cada cliente por ter vindo ao local. Tem um jeito só dela de caminhar e carregar as bandejas lotadas de restos. É segura de si, tem o nariz empinado e sempre olha nos olhos dos clientes. Faz o gênero dona de si e que não leva desaforo para casa. Apaixonante, deliciosa, dá água na boca só de pensar. Marisa é a mulher que mexe com qualquer coração vagabundo. E eu, quem sou? Meu nome é Mauro, tenho 26 anos, solteiro e escritor. Gosto de café, moletom velho e mulher vestida apenas com uma camisa masculina. Aí você já sabe aquela descrição tola que fazemos de nós mesmos: tenho cabelo curto e bem cortado (creio eu), rosto comum, olhos castanhos e corpo bem nutrido (que idiotice). Blá-blá-blá!
Venho ao mesmo bar na esquina todos os sábados só para vê-la. Tomo umas doses de coragem, ensaio meu discurso e a chamo para fazer meu “pedido”. Ela chega à mesa com um sorriso ensaiado e tom de voz tranquilo na medida certa. Há oito sábados faço isso e ela já decorou o meu nome, mas isso não faz diferença alguma. Até agora:

__ Boa noite, Mauro. Posso anotar seu pedido ou o mesmo de sempre?
__ Como? – Pareço um tolo-infantil-idiota.
__ Pedido. O de sempre. Você.
__ Ah! Sim, sim. O de sempre, Ma-Marisa.

E só. Apenas quatro frases. Grande diálogo! Resolvi escrever uma carta para ela. É bem mais fácil para mim.

*Duas horas depois*

A luz da minha escrivaninha precisa ser trocada. Teimo em usar cada lâmpada até que queime. O papel continua em branco e continuo a tamborilar a mesa numa falta de ritmo incrível.  Não sei se começo com o clichê: “Querida Marisa” ou se escrevo a carta desesperadamente... Vou começar pelo começo (típico pensamento de gente besta).

Marisa,
 Passei uma hora olhando para o papel e não sabia como escrever esta carta. Meu nome é Mauro, mas você já sabe disso. Tenho 26 anos e trabalho numa editora. Você deve estar assustada por receber uma carta de um desconhecido, porém acredito que terei mais sucesso se não falar diretamente com você, pelo menos agora. Vou ao bar todos os sábados não só pela música, bebidas ou gente bonita; o motivo é você. Não tenha medo, não sou louco (risos), sou tímido. Agora você deve está se perguntando: O quê esse homem quer dizer?
Acho você uma mulher especial como poucas. Já vivi muitos relacionamentos, conheço muitas mulheres, mas nenhuma delas é tão maravilhosa quanto você. Posso ver que és uma mulher forte, com o coração generoso e dona de uma personalidade intrigante. Gosto de mulheres com um “quê” a mais, mulheres que receberiam um prêmio pelo sorriso. Acredito que tens muitas cicatrizes e feridas não fechadas n’alma, quero conhecer todas e ajudar a curá-las, desejo te levar ao parque pelo prazer da tua companhia, andar de mãos dadas, conversar, situações simples, entende?
A carta tem uma finalidade e é a seguinte: Marisa, você aceita sair comigo? Quero levá-la para jantar, te fazer sorrir e mostrar que não sou mais um cafajeste que apenas deseja ir para cama com você. Deixa? Preciso provar do sabor dos teus lábios e ouvir o som da tua gargalhada quando eu disse algo tolo.
Espero que não me leve a mal. Você é encantadora e escritores tem uma queda por mulheres assim.

Com carinho e atenção,
Teu admirador quase secreto.
*Fim*

Próximo sábado é o grande dia; preciso fazer a barba e parecer menos doentio. Um homem fica nervoso por conta de uma mulher ou isso é raro? Grande Mauro, dando uma de Romeu apaixonado e bobo. Você percebe que as coisas estão fora do controle quando começa a falar sozinho... Respira Mauro. Respira!

Valyne Oliveira

sábado, 2 de março de 2013

Por quê continuamos a nos desesperar quando perdemos algo? Por quê simplesmente não deixamos ir e aprendemos a viver sem tê-lo (a)? Gostamos de sofrer, gostamos de querer aquilo que não nos pertence mais. E então quebramos a cara mais uma vez, para não perder o costume e para sabermos que querer não é poder.


Caroline Carvalho
Poucos minutos

Esse é o tempo disponível
para quem quer ficar muito tempo
Quer falar muitas coisas, quer beijar,
acariciar e o tempo não deixa;
A vontade presente dentro de nós, 
a paixão, os desejos e tantos sentimentos.
Queremos trocas infinitas em poucos minutos
de muita preciosidade.

Vilani Oliveira (mãe)
Seu Nome

Gosto tanto do teu nome
dos teus olhos...como gosto!
Pena que é proibido:
de escrever,
de falar...
Pensar, eu posso.
Deslumbre, radiante no meu
modo de gostar.
Isso eu posso.

Vilani Oliveira (mãe linda)
Sem referências

Indique-me as coordenadas
onde eu possa encontrar-te.
Cite os pontos de referência para 
que eu possa orientar-me.
Trace o mapa que indique
com precisão a distância entre
dois pontos distintos: o meu coração e o teu.

Vilani Oliveira (mãe)
Quem não lê, morre um pouco todos os dias.

Valyne Oliveira