quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A história de Safira e Gabriel

___ Abra os braços, amor.
___ Por quê?
___ Quero que sinta isto...
O vento sopra meus cabelos, o mar salpica meu rosto, o canto dos pássaros preenche o dia, o sol toca minha pele delicadamente.
___ Onde estamos Gabriel? – ela pergunta maravilhada.
___ Estamos um pouco longe da cidade, é um lugar lindo, aposto que já percebeu isso. É bem alto, espero que não tenhas medo de altura, Safira. – ele sorri da própria piada.
___ Até parece que eu tenho medo, chato! – Ela resmunga enquanto ele se delicia com as caretas de reprovação que ela faz.
___ É bom, não é?
___ Adoraria olhar como é tudo, Biel. Gostaria de ter a sensação, pelo menos uma vez, de sentir os olhos arderem ao olhar por alguns segundos para o sol, observar as gaivotas à procura de peixes na superfície do mar.
Ela confessa num tom de voz embargado por lágrimas.
___ Ei! Já disse que não precisa poder enxergar para saber como tudo é lindo. Não precisa disso, Safi. Quantas vezes tenho que dizer para que se convença?
___ Pode repetir o quê você vê em mim?
___ Tu és pequena e acabou.
Ele diz num tom de brincadeira e consegue arrancar um sorriso dela.
___ É sério.
___ Você é uma boneca, Safira. Pequena, dona de lábios e olhos bem desenhados, rosto pequeno e delicado, cabelos pretos e ondulados. Têm as mãos macias, braços do tamanho certo, cintura fina, pernas perfeitas e um bumbum lindo.
___ É bem melhor do que a descrição da minha mãe.
Ambos sorriem com o comentário.
___ Por que me trouxe aqui, amor? – ela pergunta curiosa.
___ Quero te fazer um pedido... Minha linda, você aceita namorar comigo?
___ Mas somos namorados, bobo.
___ Mas, a senhorita não têm isto.
Gabriel põe uma caixinha de veludo nas mãos de Safira. Dentro encontra-se uma aliança com os dizeres: “Ninguém pode explicar...”. Ela passa os dedos sobre as letras e pergunta:
___ Ninguém pode explicar o quê?
Ele tira uma aliança do bolso e diz:
___ Nosso amor, Safira. Quis ficar com a segunda parte da frase já que você é o motivo de tudo que já vivi de bom até agora.
Ela procura o rosto dele e o beija carinhosamente, deixando cair lágrimas de alegria.
___ Quero lembrá-la que você não é um peso na minha vida. É um prazer poder chamá-la de “minha”. Aprendi mais contigo em um dia do que durante todos os anos da minha vida. Vou ser teu amigo antes de tudo, certo? Só assim vou poder dar uns “carões” quando quiser dá uma de fraca. Eu te amo, guria.
O fim de tarde encomendava uma noite de tirar o fôlego. Tudo estava preparado no carro. Barraca, cobertores e lanches. Esta noite será guardada no álbum de fotos que Safira tem em seu criado-mudo. O que sobra dela será um segredo protegido por ambos.

Valyne Oliveira 

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