sábado, 12 de janeiro de 2013

Uma quase carta de Eduardo para Laura


‎- Parte 4 –

Carta não entregue. Dez de março de 1941, 22h00min horas.

“Querida Laura,
Amada Laura,
Minha Laura,

Laura, não sei mais como te chamar. Nada verdade, eu sei, mas sei que não aceitaria depois de toda nossa história. Já revivi aquela noite uma centena de vezes. Foi maravilhoso, não foi? O jeito como nossos corpos se encaixaram, minha mão na sua, tua boca macia e bem desenhada beijando meu pescoço. Você ainda usa o mesmo perfume.
Desculpa se naquela noite pouco falei. Lembro sua expressão quando disse “Oi”; tenho certeza que me xingou mentalmente. Foi uma mistura de espanto com raiva, certo? Como você continua linda! Esperei você durante horas na manhã seguinte; não queria acreditar que não voltaria até que eu saísse da casa. Leu meu bilhete? É tudo verdade, Laura. Acredito em tudo que disse a você; espero que acredite também. Estou com tanta saudade. Sinto falta das noites que saímos para dançar ou ir ao cinema, das manhãs que você me acordava aos gritos só para me assustar (risos), tenho saudade de tudo que diz respeito a nós dois. Ontem fui à loja de doces da Dona Maria, comprei os doces de chocolate meio amargo que você gosta e planejei entregá-los a ti. Tudo em vão.
Saí com uma mulher um dia desses; nem sei o motivo de está contando isso... Passei duas horas com ela e a chamei pelo teu nome, ela me perguntou se estava bem num tom de voz histérico, é claro que menti. Não deu certo com essa, obviamente. Laura, vamos tentar consertar nossa relação. Eu te amo tanto. Sei que você vai dizer: “Esse otário acha que pedir desculpas vai reconquistar tudo que perdeu”. Não sei mais o quê fazer... Estou começando a achar que é melhor viver outras histórias e entender você.

Com amor, Eduardo.”

[...] A carta já está toda amassada por ter lido várias vezes, mas tenho certeza de que Laura nunca irá ler. Sou um grande covarde! Sinceramente, espero que outro homem tenha a sorte de presenciar aquele sorriso que preenche uma casa inteira.



Valyne Oliveira

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