OBSERVAÇÃO: continuação do texto Diário de Laura, parte 8. Espero que gostem e curtam, é claro. ♥
A Jasmim nasceu num dia chuvoso, cinco de março de 1944, às 16h30min da tarde. Lembro-me daquele choro desesperado dela e da sua calma quando posta em meus braços. Pequena e toda cheia de dobrinhas. Tão linda, parecia um anjo. Chorei, sorri e quis protegê-la de tudo com a minha vida a partir daquele momento. Jasmim é tão esperta e alegre; é um pocinho de gargalhas.
Ela está dormindo no outro quarto; deve está sonhando com a boneca de pano que ela tanto ama. Passa o dia com minha mãe e à noite dorme ouvindo o piano. Compus uma música para ela.
Ontem o Eduardo a viu. Estávamos caminhando em volta do lago artificial e ele jogava futebol com amigos de longa data. Ficou paralisado quando notou a semelhança dela comigo, nos encaramos e a Jas sorriu para ele; aquele sorriso com poucos dentes que os bebês têm. Eduardo parou no meio do campo e depois se permitiu caminhar ao nosso encontro. Não sabia como agir; se corria desesperada ou esperava sua aproximação. Quase fui rasgada ao meio por conta da tensão! Ela olhou para mim e entendi que estava confusa com a situação; não conhecia o homem que fazia meu coração disparar.
__ É tua filha, Laura? – Pergunta sem rodeios.
__ Minha. O nome dela é Jasmim... – Não sabia como falar com ele sem me entregar.
__ Jasmim? O nome que eu escolhi para nossa filha?! Quer dizer nossa possível filha? Por quê? – Ele parecia em estado de choque.
__ Nós temos que ir. Estamos atrasadas... É... Te-temos que ir!
__ Laura? – Dando um passo à frente, alcança meu braço e o segura firme.
__ Largue-me, por favor! – Pedi assustada.
__ Desculpe-me... Quem é o pai? E você não me disse nada? – Perguntou-me num triste tom.
__ Que atitude é essa, Eduardo? Quem você pensa que é para me fazer essas perguntas? Como pode achar que tem o direito de surgir do pó e agir como quiser?
O vi ficar assustado. Peguei a Jasmim no colo e andei o mais depressa que pude. Ouvi os amigos dele pedindo que ele ficasse e me deixasse ir. Quero esquecer esse dia, apagar da memória aquele andar, o desenho do rosto, a cor dos lábios. Preciso encarar uma vida sem ele, tenho que me permitir esquecê-lo.
LEMBRETE: Um dia de cada vez. Jasmim precisa de mim inteira e não aos pedaços.
Valyne Oliveira
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