Parte 8
Diário de
Laura. Cinco de março de 1945.
Hoje minha
princesa faz um ano. Jasmim é uma boneca: cabelos encaracolados, olhos
castanhos e vivos, boca pequenina e rosada, bochechas rosadas e salientes.
Minha filha, minha joia.
A princípio
fiquei desesperada e a primeira atitude que tive foi de correr ao encontro da
minha mãe. Dona Lola recebeu-me de braços abertos, mas não pôde conter o
espanto. Ficar grávida e ser solteira são o mesmo que usar um vestido acima do
joelho a luz do dia.
__ Como assim,
Laura? – Perguntou-me.
Era uma sexta-feira,
logo quando soube que estava grávida.
__ Sonhei
com o Eduardo... e... e... Não sei o quê dizer. Bebi uma garrafa de vinho,
aquele que a senhora me deu no último Natal. Liguei para o Enzo e pedi que ele
fosse me vê.
__ Enzo? O
seu namoradinho de infância, primeiro beijo e todo aquele drama que envolve
vocês?
__ É, mãe.
Obrigada por me lembrar. Ele cuidou de mim, conversou comigo... Ele sempre fez
isso. Não é novidade. Deixei me levar pelo momento e começamos a beber. Ficamos
animados demais e acabamos, hum, transando.
Fiquei
vermelha e minha mãe em silêncio. Entreolhamos-nos e não sabia mais explicar a
situação.
__ Ah,
Laurinha... O que foi que você fez?! Agora nos resta cuidar de você e deste
bebê. – Diz isso pondo a mão sobre minha barriga.
Comecei a
chora e soluçar. Dona Lola agarrou-se a mim com toda força que tinha me ninou
em seus braços e acariciou meu cabelo. Essa noite vai ficar gravada em mim,
nunca vi minha mãe tão fragilizada. Foram os noves meses mais longos da minha
vida. Todo mundo do hospital fez parte da aposta sobre o sexo do bebê. Ganhei
muitos presentes, muitos mimos. O Enzo queria casar comigo, mas é certo casar
com alguém que você não ama por inteiro? Alguém que já foi especial e não é
mais? Disse que o queria perto da Jasmim, ela quem precisa dele e merece todo
apoio. Ele foi um cavalheiro, aceitou e cuidou de nós duas. Somos amigos e isso
basta.
(continua)
Valyne Oliveira
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