sexta-feira, 22 de março de 2013

Encontrei-te na esquina da vida. Parte 2. (1/2)

O grande dia
*Mauro*

O bar está movimento como sempre. Mulheres à procura de namorados (e maridos, vai saber) ou bebendo a bebida mais forte e homens à caça da melhor presa. Parece mais uma selva com todos os animais vestidos do que um barzinho famoso da cidade grande. Sentei-me à mesa do canto como usualmente, tomei um drinque e a Marisa aproximou-se. Sei bem que ela atende este lado do bar.
Marisa caminha lentamente entre as mesas sorri quando necessário e distribui “Oi” e “Olá” para os mais assíduos. Uma mulher como essa qualquer homem pede em casamento e quer ter a vida toda; ela faz o gênero que a cada década fica mais linda. Os olhos dela me encaram como se pudessem dizer tudo sobre mim.

__ Boa noite, Mauro! Você gosta daqui mesmo... – ela diz num tom de voz ensaiado.
__ Gosto. Um ótimo lugar... – dei um sorriso amarelo.
Mal sabe que ela é o motivo de tudo.
__ Quer pedir algum petisco?
__ Quero te dá algo... – falei mais para mim do que para ela ouvir.
__ Como? – franzindo a sobrancelha.
__ Quero lhe entregar uma carta. É... Um homem pediu que entregasse a você.
__ Que homem? Ele está aqui? Tem certeza que é para mim? – vi que ela havia ficado com as bochechas rosadas e perdeu a postura dona de si.
__ Ele já foi Marisa. Fique tranquila. É um cara legal e não é louco.
Ela pareceu achar graça e os ombros não estavam mais rijos.
__ Tudo bem. Diga a ele que lerei com atenção e um pouco de medo.
Pela primeira vez a vi sorrir genuinamente. Esta mulher dá vontade de tirar a roupa e fazê-la a garota mais desejada da cidade.
__ Hm, tudo bem. É só isso. Obrigado.
__ Qualquer coisa, me chame.

O cabelo dela estava preso no alto da cabeça, o avental amarrado perfeitamente com um laço e um salto de doer qualquer coluna. A observei deixar o canto do bar e dirigir-se à cozinha. Passei uma hora ouvindo música boa e antiga. Dirigi cinco minutos. Entrei em casa, caminhei até a cozinha, abri a geladeira e um turbilhão de coisas começou a surgir na mente. O poder mágico da geladeira! Chega a ser cômico...
Primeiro pensei na Marisa lendo a carta e encantada pelo o quê tem nela, dois segundos depois a imaginei jogando fora e me chamando de louco/tarado/maníaco sexual. Sentei-me no sofá, liguei a TV e vi as imagens passando de um lado para o outro. Tenho uma pilha de textos para ler e analisar, mas pouco fará diferença se fizer isso agora. Acordei no susto. Olhei para o relógio e são sete horas da manhã. Primeiro pensamento? Ela leu a carta ou não? E agora? Volto ao bar e digo “Oi”? CARAMBA! Como vou encará-la?


Valyne Oliveira

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