O grande dia
*Mauro*
O bar está
movimento como sempre. Mulheres à procura de namorados (e maridos, vai saber)
ou bebendo a bebida mais forte e homens à caça da melhor presa. Parece mais uma
selva com todos os animais vestidos do que um barzinho famoso da cidade grande.
Sentei-me à mesa do canto como usualmente, tomei um drinque e a Marisa
aproximou-se. Sei bem que ela atende este lado do bar.
Marisa
caminha lentamente entre as mesas sorri quando necessário e distribui “Oi” e
“Olá” para os mais assíduos. Uma mulher como essa qualquer homem pede em
casamento e quer ter a vida toda; ela faz o gênero que a cada década fica mais
linda. Os olhos dela me encaram como se pudessem dizer tudo sobre mim.
__ Boa
noite, Mauro! Você gosta daqui mesmo... – ela diz num tom de voz ensaiado.
__ Gosto. Um
ótimo lugar... – dei um sorriso amarelo.
Mal sabe que
ela é o motivo de tudo.
__ Quer
pedir algum petisco?
__ Quero te
dá algo... – falei mais para mim do que para ela ouvir.
__ Como? –
franzindo a sobrancelha.
__ Quero lhe
entregar uma carta. É... Um homem pediu que entregasse a você.
__ Que
homem? Ele está aqui? Tem certeza que é para mim? – vi que ela havia ficado com
as bochechas rosadas e perdeu a postura dona de si.
__ Ele já
foi Marisa. Fique tranquila. É um cara legal e não é louco.
Ela pareceu
achar graça e os ombros não estavam mais rijos.
__ Tudo bem.
Diga a ele que lerei com atenção e um pouco de medo.
Pela
primeira vez a vi sorrir genuinamente. Esta mulher dá vontade de tirar a roupa
e fazê-la a garota mais desejada da cidade.
__ Hm, tudo
bem. É só isso. Obrigado.
__ Qualquer
coisa, me chame.
O cabelo dela
estava preso no alto da cabeça, o avental amarrado perfeitamente com um laço e
um salto de doer qualquer coluna. A observei deixar o canto do bar e dirigir-se
à cozinha. Passei uma
hora ouvindo música boa e antiga. Dirigi cinco minutos. Entrei em casa,
caminhei até a cozinha, abri a geladeira e um turbilhão de coisas começou a
surgir na mente. O poder mágico da geladeira! Chega a ser cômico...
Primeiro
pensei na Marisa lendo a carta e encantada pelo o quê tem nela, dois segundos
depois a imaginei jogando fora e me chamando de louco/tarado/maníaco sexual. Sentei-me
no sofá, liguei a TV e vi as imagens passando de um lado para o outro. Tenho
uma pilha de textos para ler e analisar, mas pouco fará diferença se fizer isso
agora. Acordei no susto. Olhei para o relógio e são sete horas da manhã.
Primeiro pensamento? Ela leu a carta ou não? E agora? Volto ao bar e digo “Oi”?
CARAMBA! Como vou encará-la?
Valyne Oliveira
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