quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A luz do meu quarto é a única ainda acesa. É uma da madrugada e o silêncio da cidade se faz presente. O vento bate nas janelas dos vizinhos e os cachorros latem para o invisível. Continuo a encarar o teto do meu quarto; já virei o travesseiro dezenas de vezes, só para ter aquela sensação fria e confortável.
O tique-taque do relógio não me incomoda mais, os porta-retratos estão sem fotos e meu criado-mudo cheira a café. Não consigo dormir a dois dias. Fico revivendo cada momento que tive com você, apego-me a qualquer lembrança nossa. Desconheço a mim mesma; já não me considero aquela garota do sorriso bonito e sem fim. É bem triste perceber que as pessoas mentem tão bem que chega a parecer verdade.
Tuas palavras confortavam meu coração, sentia-me querida e amada. Como pôde fingir tão bem? Decepção é a única palavra que me remete a você. Não posso dizer que tudo foi em vão, tivemos momentos engraçados, felizes até. Mas se for para tirar uma lição disso tudo, aprendi esta: nunca aposte todas as suas cartas em alguém; o ser humano é dono de muitas facetas, muitas das quais ele não tem conhecimento.
Sei que vai demorar a cicatrizar os machucados no meu coração, sei disso, mas o tempo vai passar e vou preenchê-lo com sentimentos bons, pessoas novas e fé. Ainda vou sorrir de mim por sofrer por alguém tão mesquinho... Ah vou!

Valyne Oliveira

Nenhum comentário:

Postar um comentário