Mauro: o
cara que fica me observando todo sábado, no mesmo horário e sentado no canto do
bar. Somente isso. Ele é muito bonito, charmoso de um jeito discreto e tímido.
Deve achar que não o percebo. Homens são tão bobos.
Uma carta e
uma mentira; ele fingiu ser outra pessoa, por quê? Não sei se é um bom começo,
mas confesso que ele é o primeiro homem que fez algo assim para mim. Nunca fui
tão elogiada, sorri ao ler cada palavra e mal o conheço. Não sei o quê pensar
ou como agir. No decorrer dos anos, aprendi a me proteger de tudo que indica decepções.
Sou mais uma mulher que possui duas ou mais topadas na estrada das relações.
Namorei três homens nos meus 23 anos de vida. Namoros longos e muitos
“romances” relâmpagos. Não era para ser, é bom pensar assim, evita uma boa
quantidade de rugas prematuras. Minha mãe sempre diz: “Mari, você nasceu mais
difícil do que minha relação com seu pai”. Bem típico dela comentários do
gênero desagradável.
A minha
poltrona está quente, o papel da carta está amassado de tanto lê-la, meu
computador toca as músicas de sempre. Já pensei em tudo que posso dizer a ele;
se aceito ou não o jantar, se acredito ou não nas palavras doces que me foram
entregues. É muito confuso um homem ser tão bom no meio de tantos que já
magoaram uma centena de mulheres que acreditam no amor assim como eu. Estranho,
diferente demais. O sábado vai chegar, vou encontrá-lo de novo (ou não), o
atenderei e depois? Finjo que nada aconteceu ou tomo alguma iniciativa? Volto a
repetir a mim mesma: “Estranho... Diferente demais”.
Valyne Oliveira
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